COMUNICADOS

8-7-2016- PRODUÇÃO NACIONAL APOIA A SELEÇÃO NACIONAL
Esta sexta-feira, dia 08 de julho, entre as 15h30 e as 17h00, agricultores e produtores de leite, com apoio da AJADP e da APROLEP, vão organizar uma concentração de tratores num terreno com 40.000 m2, com acesso a partir da Travessa de S. Vicente, junto à nacional 309 em Bagunte, Vila do Conde.
Esperamos a participação de cerca de 100 tratores, para com eles escrever no campo uma mensagem de apoio à seleção nacional.
Com esta iniciativa, queremos enviar à seleção nacional de futebol uma mensagem de força, orgulho e união. Queremos enviar esta mensagem em nome do Portugal profundo, dos portugueses que pela distância ou pelo trabalho não podem ir a Paris nem sequer às praças das cidades com ecrã gigante participar na festa que une a nossa sociedade.
O percurso da seleção nacional é para nós fonte de inspiração na fase difícil que atravessa a produção de leite. Os resultados alcançados são motivo de esperança de que também o produto do nosso trabalho, o leite nacional, seja reconhecido e pago a um preço justo.
Esta é ainda uma oportunidade para agradecermos aos portugueses que nos apoiam ao comprar os produtos nacionais que começamos a ver cada vez mais nas prateleiras dos hipermercados, mas também para recordar que continuamos com preços do leite abaixo dos custos de produção, que precisamos da ação do Governo como árbitro mais ativo e de um patriotismo solidário de indústria e distribuição porque não queremos que mais colegas da nossa “equipa” de produção fiquem “fora de jogo”.
Queremos sobretudo, celebrar Portugal e enviar o nosso abraço e a nossa força à seleção e aos portugueses que a acompanham em França e em todo o mundo. FORÇA PORTUGAL!

7-6-2016 – NO BOM CAMINHO

A APROLEP tomou conhecimento de um comunicado hoje divulgado pela Cadeia de hipermercados Continente que “reformula a sua gama principal de leite marca própria e oferece aos consumidores leite 100% nacional nas referências 1Lt de Leite Gordo, Meio Gordo e Magro” e que sublinha também “os benefícios do leite, nomeadamente, que é um alimento rico em cálcio, que combate a osteoporose, que contribui para o desenvolvimento cerebral, para regulação do sistema imunológico, da pressão arterial e do próprio sistema nervoso.”

Da parte dos produtores de leite portugueses, saudamos o novo posicionamento deste importante agente económico do nosso país e esperamos que seja um exemplo seguido por outras cadeias de hipermercados.

Lembramos, contudo, que para a sobrevivência da produção de leite em Portugal é fundamental que, além da origem do leite ser portuguesa, sejam também criadas condições para haver um preço sustentável pago ao produtor, um “preço justo” que permita a sobrevivência das explorações leiteiras em Portugal, o que implicará um esforço de todos para terminar ou reduzir as “promoções agressivas” que desvalorizam o   leite.

Devemos ainda destacar que em Portugal os preços mais baixos e as situações mais dramáticas são vividas por produtores que fornecem direta ou indiretamente queijarias, pelo que é para nós igualmente importante haver também um compromisso de aquisição de queijo flamengo 100% português, feito com leite de vacas portuguesas.

Por último desafiamos o Ministro da Agricultura a avançar com a rotulagem obrigatória da origem do leite, tal como já fizeram os seus homólogos de França e Itália, que apresentaram propostas nesse sentido à comissão europeia, a fim de obterem autorização para essa medida.

20-5-2016- A VACA VOADORA E O LEITE ESQUECIDO

O Sr Primeiro-ministro apresentou ontem ao país uma vaca voadora para mostrar com bom humor que não existem impossíveis. Pela parte dos produtores de leite, queremos manifestar o nosso agrado pela atenção dada às vacas e fazer votos que o leite das vacas passe a fazer parte da agenda prioritária do Primeiro-ministro.

Com efeito, depois do falhanço da “aterragem suave” que nos prometeram de Bruxelas com o fim das quotas leiteiras, o setor do leite em Portugal enfrenta uma crise real, que tem causas internacionais e exige resposta a nível europeu mas também nacional.

Já que o Senhor Primeiro-ministro falou em vacas e coisas impossíveis, aproveitamos para lhe recordar alguns pontos onde esperamos que com o seu empenho, participação e otimismo seja possível:

– Estabelecer a nível europeu um mecanismo para evitar os excedentes de produção de leite que atualmente ocorrem;

– Reduzir a importação de 500 milhões de euros de sobras de leite e produtos lácteos que resultam dos excedentes do mercado europeu.

– Aumentar a percentagem de leite e produtos lácteos nacionais vendidos nos hipermercados portugueses.

– Acudir aos produtores de leite que estão a vender o leite muito abaixo do custo de produção, alguns com pagamentos atrasados e que não encontram comprador para o leite em Portugal.

– Esclarecer os consumidores sobre a segurança e valor alimentar do leite integrado numa dieta equilibrada.

– Implementar uma rotulagem da origem do leite e produtos lácteos que seja bem visível e de fácil identificação pelo consumidor.

– Acelerar a inovação na indústria e a exportação de produtos lácteos de valor acrescentado para substituir os países clientes tradicionais afetados pela crise do petróleo.

18-4-2016: COMUNICADO AÇÃO DE MARKETING DIRETO RIBEIRA DO PORTO

Um grupo de produtores de leite irá amanhã, dia 18 de Abril, entre as 12h30 e as 13h30, realizar uma ação de marketing junto dos consumidores e superfícies de restauração / cafetaria na Praça da Ribeira (Praça do Cubo) no Porto. Haverá bandeiras nacionais e serão distribuídos folhetos aos consumidores e um novo cartaz desenvolvido pela APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, destinado a promover o leite e produtos lácteos portugueses em mercearias, supermercados, cafés e outras superfícies comerciais de pequena e média dimensão. O cartaz será ainda afixado em reboques e máquinas agrícolas que vão circular nas colheitas e sementeiras que vão decorrer nos próximos meses. Em anexo imagem do novo cartaz e do folheto.

Recordamos que se mantém a crise na produção de leite em Portugal, com restrições à produção, preços muito baixos e agora situações de atrasos de pagamento que estão a levar muitos produtores e suas famílias ao desespero.

 

08-04-2016: COMUNICADO: Obrigado, Papa Francisco!

 O Papa Francisco publicou esta semana um vídeo sobre o setor agrícola. Na mensagem, integrada no ano da misericórdia e disponível no Youtube e nas redes sociais, o Papa afirma “Obrigado, camponês, o teu contributo é imprescindível para toda a humanidade. Como pessoa, filho de Deus, mereces uma vida digna”, questionando a forma como se retribuem os esforços dos agricultores e afirmando que sendo a terra “dom de Deus” não é justo que os seus benefícios sejam apenas utilizados em proveito de alguns. O vídeo termina com um apelo: “Gostaria que pensasses nisso e unisses a tua voz à minha por esta intenção: que os pequenos agricultores recebam a justa compensação pelo seu precioso trabalho.”

Esta mensagem é sinal de que o Papa Francisco ouviu os apelos dos agricultores e em particular dos Produtores de Leite Europeus que recentemente acolheu no Vaticano. As suas palavras são para nós um sinal de esperança apesar do momento muito difícil que se vive no setor. Esperamos que não sejam apenas motivo de oração para os crentes mas que provoquem também um impulso de ação em todas as pessoas de boa vontade que respeitam a palavra e o exemplo deste Papa e cujas decisões podem ajudar a salvar a produção de leite em Portugal. Obrigado, Papa Francisco!

A Direção da APROLEP

31-3: COMUNICADO: NOVA EDIÇÃO DA REVISTA “PRODUTORES DE LEITE”

A APROLEP acaba de publicar mais uma edição da Revista “PRODUTORES DE LEITE”, Primavera / Verão 2016, que pode ser consultada on-line em www.produtoresdeleite.pt e será disponibilizada gratuitamente aos produtores de leite de todo o país, graças às empresas que anunciam os seus produtos e serviços na publicação. São estas e outras empresas do setor, que também tem estado unidas connosco na luta pela salvação da produção de leite em Portugal, que nos permitem publicar a revista disponibilizando informação técnica para melhorar a eficiência das explorações leiteiras, fundamental no período difícil que atravessamos.

Na edição nº 13 da Revista “PRODUTORES DE LEITE”, além de um artigo do Senho Ministro da Agricultura, damos destaque às ações de marketing direto e manifestações realizadas pelos produtores nos últimos meses, procurando, “fazer a nossa parte, fazer o que estiver ao nosso alcance para melhorar a situação dos produtores. Alertar, gritar de todas as formas possíveis, todas a vezes possíveis, em todos os meios possíveis, para a situação dramática que estamos atravessar”, pois todos meses se amontoam dívidas, atrasos de pagamentos, renegociações, simplesmente porque aquilo que recebemos pelo esforço estoico do nosso trabalho diário não paga as despesas elementares da exploração. Denunciar a ausência de patriotismo da distribuição responsável pela importação de 500 milhões de euros em produtos lácteos ao mesmo tempo que somos obrigados a reduzir a produção de forma drástica porque as indústrias não tem capacidade de escoamento mediante a redução das vendas de produtos nacionais. Exigir a rotulagem com a origem do leite e produtos lácteos, para que o consumidor possa ser solidário com a produção nacional. Exigir transparência na formação dos preços por forma a perceber a equidade da repartição das margens de sustentabilidade em toda a cadeia de valor. Exigir uma campanha de esclarecimento da população sobre as qualidades nutritivas do leite que pode e deve ter a chancela do governo, mas envolver também produção, industria e distribuição. Denunciar a hipocrisia dos que se apregoam defensores da produção nacional e importam tantos produtos lácteos para as suas marcas brancas. Exigir que retifiquem a sua posição e aumentem a percentagem de compra de produto nacional, em solidariedade com os produtores. Exigir também solidariedade por parte da indústria, que não se pode limitar a passar ao produtor a fatura que recebe dos abusos da distribuição e da falta de inovação e dinamismo comercial. Lembrar ainda ao Governo que não se pode desculpabilizar apenas com a difícil resolução de uma crise de mercado, porque nesta Europa dita “solidária” houve países que criaram medidas de apoio excecionais, nomeadamente Espanha, que distorcem a competitividade entre produtores de leite vizinhos.

Na capa, temos a foto de uma menina, segurando a bandeira nacional e o apelo “Indústria e Distribuição, salvem a produção!”. Esta foto resume aquilo que somos, a mensagem que temos e a responsabilidade que assumimos: Lutar pelo futuro da produção de leite em Portugal e pelo direito do Hugo, do Rui, do Simão, do David, do Henrique, do Bernardo, do Miguel, da Sara, do Pedro, do Luis, da Ana, da Sofia, do Tiago e de muitos outros meninos crescerem felizes em famílias de agricultores ativos e, se quiserem, poderem também um dia continuar o nosso trabalho de produção de leite em Portugal.

28-3-2016: CARTA ABERTA À DIRETORA GERAL DA APED, ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EMPRESAS DE DISTRIBUIÇÃO – PELA SALVAÇÃO DA PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL!

A entrevista que a Diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo de Morais, deu ao jornal Expresso da passada sexta-feira, 25 de Março, contém algumas afirmações que não podem passar em claro, sob pena dos leitores ficarem com uma ideia errada da luta que travamos e das soluções que propomos para salvar a produção de leite em Portugal.

Em primeiro lugar, é dito que a APED está preocupada e defende há muito “uma campanha de promoção do consumo do leite, para desfazer alguns mitos que se tem criado”. Muito bem. Mas a APED apresentou ao governo, à indústria ou aos produtores alguma proposta concreta dessa campanha? Várias cadeias de distribuição editam as suas revistas, porque não utilizaram esse espaço para convidar médicos ou nutricionistas de modo a esclarecer os consumidores? Aquilo que a APED, os seus associados ou o Governo possam dizer sobre as qualidades do leite será mais importante para os consumidores do que uma mensagem dos produtores ou industriais de lacticínios, “advogados em causa própria”. Pergunto uma vez mais: Estão a APED e seus associados disponíveis para avançar nesta matéria ou esta proposta é apenas uma arma de defesa para situações de “aperto”?

Em segundo lugar, é referido que as lojas dos associados da APED “apenas” vendem 17% do leite importado. Pois se deixarem de importar alguns desses 17% (quantos milhões de litros representam?) poderão evitar a falência de muitas explorações e o abate de muitos animais. Estrategicamente, não diz qual a percentagem de queijos e iogurtes que importam, mas deve ser alta tendo em conta os 300 milhões de euros importados dos referidos produtos lácteos, segundo dados do INE. Lamentavelmente, apesar de reconhecer que “há um problema crítico nos setores de produção de carne de porco e de leite”, em nenhuma parte da entrevista é aberta uma perspetiva de mudança dos operadores que a APED representa, uma promessa de comprar mais um litro de leite ou um kg de queijo, face ao problema que reconhecem.

Em terceiro lugar, partindo da existência de “manifestantes à porta de lojas” com uma “agenda reivindicativa” dirigida (também) ao Governo e à Comissão Europeia, é feita a grave acusação de que “A distribuição é instrumentalizada em manifestações para pressionar o Governo e Bruxelas”. Essa afirmação ignora que a manifestação do passado dia 14 de Março em Matosinhos teve três pontos de concentração, sendo o primeiro a Direção Regional de Agricultura e Pescas, e que foi produzido um documento único com as várias reivindicações dirigidas ao Governo, a Bruxelas e à distribuição. Pensávamos que cada um saberia assumir a sua parte de responsabilidade, mas se não o fizerem teremos de repetir as vezes necessárias até que nos ouçam. Essa ideia implícita que os agricultores só querem subsídios é um insulto a tudo o que a minha associação tem feito desde que existe: Não queremos migalhas de uma Europa que se demita de defender os produtores face aos abusos dos elos mais fortes do mercado, lutamos por um preço justo para o que produzimos. E não queremos discutir as culpas da distribuição ou de outros elos da fileira do leite, pois não estamos em tribunal. Batemos à porta da distribuição porque acreditamos que ela pode ser a chave, pode ser a solução para a nossa crise, se deixar de lavar as mãos como pilatos e aproveitar esta época de Páscoa como uma passagem para uma “atitude de compromisso”, concreta, se deixar de importar as sobras da Europa e se comprometer a comprar mais leite e produtos lácteos de origem nacional, a um preço sustentável. Está nas mãos dos associados da APED escolher se passamos para uma nova fase ou se vão continuar a afirmar que apoiam a produção nacional enquanto enchem as suas prateleiras de produtos importados, que continuaremos a denunciar.

18-3-2016: PRECISAMOS DE hipercados 100% empenhados em salvar a produção de leite!

 Soubemos ontem pela comunicação social que “cerca de 80% do leite e dos produtos lácteos de marca Pingo Doce comercializados nas respetivas lojas são adquiridos a fornecedores portugueses”. Ora os 20% que faltam podem ser a diferença para salvar muitas explorações leiteiras.

Temos situações desesperantes de produtores que recebem 20 cêntimos por litro produzido. Temos produtores que foram obrigados pela indústria a reduzir 25% a produção de leite, ficando sem margem para os encargos assumidos com bancos e fornecedores.

Se os vários hipermercados aumentarem a percentagem das suas compras de leite e produtos lácteos em Portugal, se Pingo Doce passar de 80 para 100% de compras em Portugal, se exigir aos seus fornecedores de queijo e iogurtes garantias que estão a laborar com leite produzido em Portugal, podemos parar de abater animais saudáveis e salvar muitos produtores, muitos empregos e toda a economia do meio rural.

Não podemos aceitar a dificuldade de escoar o leite produzido e o baixo preço praticado num país que importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. Insistimos que a solução mais lógica, do ponto de vista económico, social e ambiental, é a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais, mais frescos, mais próximos do produtor ao consumidor, de qualidade comprovada e com mais-valias para a economia nacional.

Desafiamos a distribuição e a indústria a darem as mãos para salvar a produção nacional e em particular os produtores que se encontram na situação de desespero que referimos, através do escoamento da produção a um preço justo.

Porque precisamos da ajuda de todos para esta causa, porque a voz dos produtores ainda não foi ouvida nem teve as respostas concretas que precisamos, lançámos uma petição pública: “APELO À DISTRIBUIÇÃO PARA SALVAR A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL.

17-3-2016 – CARTA ABERTA – A LUTA DOS PRODUTORES DE LEITE VAI CONTINUAR

No balanço daquela que terá sido, provavelmente, a maior manifestação de produtores de leite e carne reaalizada em Portugal, reunindo cerca de 3000 pessoas e 300 tratores, quero dirigir umas breves palavras à fileira do leite e aos diversos agentes nela envolvidos:

  1. Uma primeira palavra para saudar os heróis tratoristas que vieram não apenas de Vila do Conde, onde iniciamos a marcha organizada em direção à manifestação, mas também de Esposende, Barcelos, Póvoa de Varzim, Famalicão, Maia, Matosinhos, Trofa, Santo Tirso, Valongo, Penafiel, Amarante (a 60 kms da manifestação!) e mais algum concelho que por lapso esteja a omitir. Levantaram-se de madrugada, trataram dos animais e fizeram-se à estrada para se juntarem às 3000 pessoas, vindas de todo o país, que participaram nas concentrações e marcha desde a DRAPN até Pingo Doce e Continente de Matosinhos.
  2. Uma palavra particular para o civismo com que decorreu toda a manifestação e para a paciência dos tratoristas, submetidos a uma inusitada operação stop pela GNR que provocou um atraso de uma hora na chegada à manifestação e a paragem do trânsito na N13. Ao fim de longos minutos, voltou a imperar o bom senso. Ficámos assim esclarecidos sobre uma das causas da nossa crise: Em vez de fiscalizar os camiões de produtos lácteos importados, a polícia recebe ordens para fiscalizar os tratores das manifestações. Saliente-se, no entanto, o comportamento exemplar dos agentes da GNR e PSP que estiveram presentes ao longo da manifestação.
  3. Uma terceira palavra de reconhecimento para os jornalistas que acompanharam a nossa luta desde sempre e em particular no dia 14, desde às 6h30 até às 22h00, no meio das vacas, em cima dos tratores, a transmitir a crise que vivemos e a denunciar a ação da polícia que já lamentei acima.
  4. Uma quarta palavra de louvor para os técnicos agrícolas, comerciais, veterinários, funcionários de cooperativas e prestadores de serviços que sentem a crise como nós, estiveram solidários e marcaram presença de forma significativa.
  5. Uma palavra de lamento para a ausência de resposta concreta das cadeias de distribuição Pingo Doce e Continente, escondidas atrás de um vago e dececionante comunicado da APED, Associação de Empresas de Distribuição, sem qualquer medida concreta para reduzir o escândalo de importarmos 500 milhões de produtos lácteos numa situação de dificuldade extrema dos nossos produtores de leite nacionais.
  6. Registo como positivo que a Comissão Europeia tenha assumido finalmente a existência de uma crise neste setor agrícola, mas lamento que no mesmo dia em que o Conselho de Ministros da agricultura começou a dar pequenos passos (ainda insuficientes) para ultrapassar a crise, ao lado, o Conselho de Ministros dos Negócios estrangeiros tenha prolongado as sanções económicas à Rússia, causa do embargo aos produtos agrícolas europeus por parte do país que importava 30% dos queijos da Europa.
  7. Aos que me perguntam se a luta pode endurecer, respondo não saber como poderão evoluir a revolta e o desespero dos produtores de leite. De uma coisa o governo e a distribuição podem estar certos: Não haverá paz no setor enquanto não houver justiça! Não vamos parar enquanto não houver uma regra concreta para a rotulagem da origem do leite e enquanto a distribuição continuar a dificultar o acesso dos consumidores ao leite e produtos lácteos portugueses e não se comprometer a comprar mais leite e produtos lácteos nacionais, com números concretos!
  8. Mais importante do que tentar prever a força de futuras ações é ter consciência da força da nossa razão que não nos deixa desistir. Temos presente a parábola do juiz e da viúva (Lc 18, 2-5): «Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário.’ Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me.’». A luta dos produtores de leite vai continuar! 17-3-2016
  9. Carlos Neves. Presidente da APROLEP

6-3-2016 – MARKETING DIRETO dos PRODUTORES DE LEITE CHEGA A LISBOA!

 Em Lisboa, no próximo domingo, entre as 15h30 e as 17h00, um grupo de produtores de leite, com suas famílias, vai contactar diretamente os consumidores, em nova ação de marketing direto, à porta do Centro Comercial Vasco da Gama, para abordar diretamente os consumidores de forma a promover o leite, os produtos lácteos e todos os produtos agrícolas portugueses.

Como temos vindo a denunciar, a situação dos produtores de leite agrava-se a cada dia que passa, devido à manutenção de preços ao produtor claramente abaixo dos custos de produção, o que provoca atrasos de pagamento a fornecedores e aumento das dívidas junto do banco. Muitos produtores estão agora a abater animais para reduzir drasticamente a produção, porque a indústria que lhes transforma o leite não consegue exportar nem vender no mercado interno.

Temos de lembrar, até que a voz nos doa, que somos obrigados a reduzir a produção e vender leite ao desbarato enquanto Portugal importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. Daí o nosso apelo a consumidores e superfícies comerciais para a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais.

Fazemos um especial apelo ao setor de hotelaria, restauração e cafetarias, para resistirem à tentação de utilizarem queijos ou sucedâneos de queijo importados na elaboração de sandes, tostas mistas e todo o tipo de alimentos confecionados. Pedimos aos consumidores que exijam produto nacional, com o símbolo (PT), na manteiga e outro tipo de entradas servidas nos restaurantes.

Voltaremos à rua as vezes necessárias até que o Governo Português faça alguma coisa de concreto para defender a produção nacional, na identificação da origem dos produtos lácteos vendidos em Portugal, no esclarecimento dos consumidores sobre as qualidades nutritivas do leite, na ação diplomática em Bruxelas (para regular o mercado desregulado pelo fim das quotas e resolver a crise com a Rússia) e na ação diplomática no resto do mundo mobilizando as embaixadas portuguesas para ajudar à exportação dos produtos lácteos portugueses. Precisamos também aí de uma atitude cada vez mais dinâmica da indústria nacional na promoção do leite, na investigação e desenvolvimento de produtos lácteos de valor acrescentado. Sem uma ação rápida do Governo, da Indústria e Distribuição não será possível acudir à agonia atual da produção de leite português. A Direção da APROLEP

21-2-2016 NOVA AÇÃO DE MARKETING DIRETO DOS PRODUTORES DE LEITE

No próximo domingo, entre as 15h00 e as 17h00, um grupo de produtores de leite, com suas famílias, vai contactar diretamente os consumidores, em nova ação de marketing direto, para promover o leite, os produtos lácteos e todos os produtos agrícolas portugueses, à porta do Hipermercado Continente em Barcelos (R. de São Simão, Vila Frescainha (São Pedro) – junto à N103-1).

Recordamos que os produtores acumulam prejuízos a cada dia que passa, com custo de produção de aproximadamente 34 cêntimos por litro de leite, um preço médio ao produtor de 28 cêntimos por litro e situações desesperantes de agricultores que recebem menos de 20 cêntimos por litro de leite produzido, bem como outros que só poderão manter o preço se reduzirem drasticamente a produção. Estão em risco seis mil empresas de produção de leite, suas famílias, funcionários e todo a cadeia de fornecedores de produtos e serviços.

Repetimos que esta situação é inaceitável num país que importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. Insistimos que a solução é a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais, mais frescos, mais próximos e de qualidade comprovada, que fazem bem à saúde dos portugueses e da economia nacional.

Não desistiremos enquanto a distribuição e a indústria se recusarem a dar as mãos para salvar a produção nacional, através do escoamento da produção a um preço justo.

Vamos insistir até que o governo português defenda a produção nacional, na fiscalização intensiva dos produtos importados e na identificação da origem dos produtos. Os consumidores, que nos apoiam, tem o direito de encontrar a origem dos produtos devidamente identificada nos pontos de venda.

17-2-2016 – PRODUTORES DE LEITE EM AÇÃO DE MARKETING DIRETO PARA DEFENDER A PRODUÇÃO AGRÍCOLA NACIONAL

 A crise da produção de leite continua em Portugal e os produtores de leite acumulam perdas a cada dia que passa. Temos um preço médio ao produtor a rondar 28 cêntimos por litro e um custo estimado de 34 cêntimos. Preocupa-nos sobretudo a situação de muitos produtores que recebem abaixo da média e em particular a situação desesperante de dezenas de produtores que recebem menos de 20 cêntimos por litro produzido. Além disso, poucos meses após o fim das quotas, quase todos os produtores nacionais viram limitada a quantidade que podiam entregar à indústria transformadora e a situação agrava-se agora pois são obrigados a reduzir a produção, ficando sem margem para os encargos assumidos com investimentos, que em muitos casos foram realizados por jovens agricultores com apoio comunitário. Estão em risco milhares de empresas, ancoradas em património acumulado pelo trabalho de gerações de agricultores.

A dificuldade de escoar o leite produzido e o baixo preço praticado, sistematicamente abaixo da média comunitária, é inaceitável num país que importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. As exportações que também ocorrem, em produtos com menor valor acrescentado, não evitam um défice anual de 200 milhões de euros em leite e produtos lácteos. É evidente que a solução mais lógica, do ponto de vista económico, social e ambiental, é a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais, mais frescos, mais próximos do produtor ao consumidor, de qualidade comprovada e com mais-valias para a economia nacional.

Desafiamos a distribuição e a indústria a darem as mãos para salvar a produção nacional e em particular os produtores que se encontram na situação de desespero que referimos, através do escoamento da produção a um preço justo. Essa atuação poderia ter a chancela do Estado Português, com a atribuição do rótulo de “Produto lácteo sustentável” que garanta ao consumidor não apenas a qualidade e a origem nacional do produto, mas também um preço ao produtor que permita a sua permanência na atividade, remunerando o seu trabalho e os custos de produção.

Desafiamos ainda o governo português a defender a produção nacional da mesma forma que o fazem os governos nacionais e regionais de países vizinhos, no apoio aos produtores, na fiscalização intensiva dos produtos importados e na identificação da origem dos produtos. Os consumidores que estão solidários com a produção nacional tem o direito de encontrar a origem dos produtos devidamente identificada nos pontos de venda.

Desafiamos todos os agricultores e todas as organizações agrícolas a envolverem-se na defesa urgente do leite e de outros alimentos cuja produção atravessa atualmente uma grave crise. Face á necessidade urgente de ação, a APROLEP apoia a iniciativa dos Jovens Agricultores da AJADP que vão contactar diretamente os consumidores, num ação de marketing direto, inédito em Portugal, para promover o leite, os produtos lácteos e todos os produtos agrícolas portugueses, á porta de uma superfície comercial da cidade do Porto, na manhã de quarta-feira, dia 17 de Fevereiro.

11-1-2016 -CONTINUARÁ EM 2016 A AGONIA DA PRODUÇÃO DE LEITE?

 2015 foi um ano negativo para a produção de leite em Portugal. Terminámos o ano com preço médio ao produtor a rondar 28 cêntimos, menos 6 cêntimos que em Dezembro de 2014, 2 cêntimos abaixo da média comunitária e vários cêntimos abaixo do custo de produção, que deverá aumentar em 2016. E continuámos com enorme importação de produtos lácteos, provocando um défice anual de 200 milhões de euros.

Considerando o efeito da inflação, o consumidor português pode hoje adquirir leite a metade do preço que se registava em Portugal há 30 anos, aquando da adesão à CEE. Houve de facto enormes ganhos de eficiência e produtividade em toda a fileira, mas houve também, nos últimos anos, uma grande desvalorização do leite, usado como isco para atrair consumidores à custa de derreter totalmente a margem do produtor para baixo do custo de produção, sem falar dos mais recentes ataques ao leite como alimento que beneficiam bebidas vegetais alternativas.

As consequências desta situação que se arrasta têm sido desastrosas para as seis mil famílias que sobrevivem a produzir leite nacional, assistindo com angústia ao aumento da dívidas a bancos e fornecedores, à falência de colegas, ao abandono da atividade, falta de comida e abate indiscriminado de animais em plena produção. Mantém-se em atividade muitas explorações suportadas no crédito de fornecedores, na expetativa que a situação melhore, mas não se vislumbram soluções nem perspetivas positivas para os próximos meses.

Em 2015, tal como noutras crises, Bruxelas prometeu milhões para compensar as perdas do último ano, consequências das suas opções políticas sobre o fim das quotas e a crise com a Rússia. Desses milhões o pouco que chegou aos produtores portugueses foi significativamente menos do que receberam os produtores de países vizinhos, com apoios reforçados pelos seus governos, o que provoca uma concorrência desleal com os produtores nacionais, já depauperados pelo baixo preço recebido.

Aguardamos agora com expectativa a atuação do novo governo face à situação dramática em que sobrevivem os produtores de leite. Esperamos, nomeadamente:

– Que defenda na União Europeia uma política para evitar excedentes de produção e a inundação do mercado português com as sobras de leite de outros países, cuja rotulagem precisa ser reforçada.

– Que assuma como objetivo atingir em Portugal um preço ao produtor não inferior à média comunitária e ajudas ao mesmo nível dos produtores de outros países da Europa.

– Que assuma o esclarecimento dos consumidores sobre a qualidade do leite português e as qualidades reconhecidas do leite como alimento recomendado pela Direção Geral de Saúde.

– Que incentive e apoie a inovação na transformação do leite por parte da indústria e a conquista de novos mercados.

– Que desafie a Distribuição a assumir o compromisso de garantir um preço justo e um tratamento digno para os fornecedores, tal como foi acordado há meses na França (apontando preços de 34 cêntimos ao produtor) e, mais recentemente, na Espanha (garantindo aumentos de 2 cêntimos). Renovamos a proposta para que esse compromisso seja assinalado com um rótulo de “Produto lácteo sustentável” que garanta ao consumidor não apenas a origem nacional do produto, mas também um preço ao produtor que permita a sua permanência na atividade, remunerando o seu trabalho e os custos de produção.

Sem uma atuação patriótica e responsável da Indústria e Distribuição, sem a supervisão ativa do Governo, iremos certamente assistir ao desaparecimento das poucas famílias cujo trabalho ainda permite a auto suficiência na produção de leite em Portugal.

04-09-2015 – PREÇO JUSTO PARA A PRODUÇÃO DE LEITE!

 Os produtores de leite aguardam com expetativa os resultados do Conselho de Ministros da Agricultura que vai decorrer na próxima segunda-feira, 7 de Setembro, em Bruxelas. A União Europeia é a principal responsável pela atual crise, por ter decidido o fim das quotas sem antecipar o real impacto dessa decisão. Os baixos preços ao produtor e as limitações de quantidades produzidas que estão a ser impostas pelas indústrias de laticínios são consequência da redução do consumo na Europa, do embargo russo e da redução de compras da China, mas também do aumento de produção estimulado pelas previsões otimistas da Comissão Europeia para o mercado internacional de lácteos. Falharam as previsões e sofrem os produtores na Europa e em Portugal, acumulando dívidas a fornecedores, abatendo animais, limitando a alimentação e resistindo estoicamente à espera da luz que tarda em surgir ao fundo do túnel.

A nível europeu, apoiamos as propostas de subida do preço de intervenção do leite, mas consideramos que devem também ser tomadas medidas para prevenir novos excedentes. Cremos que deveria ser analisada com atenção a proposta da Federação Europeia de produtores de Leite, EMB, European Milk Board, que, em situação de crise com excedentes no mercado, prevê um mecanismo de compensação aos produtores que reduzam voluntariamente a produção. Apoiamos também a proposta de reutilizar como apoios aos produtores de leite os milhões de euros de multas pagas pelos produtores pela ultrapassagem da quota no último ano.

A nível nacional, devemos ainda ter presente que o preço médio do leite ao produtor, em Portugal, permanece desde há 5 anos abaixo da média comunitária, entre 2 a 3 cêntimos. Em Junho o preço médio na Europa foi 30 cêntimos e em Portugal 28, abaixo do custo de produção. Recordamos que há produtores a receber menos de 23 cêntimos por litro. Portanto, o Governo português, além das posições conjuntas que estrategicamente defenderá em Bruxelas, deve trabalhar para que os produtores de leite em Portugal tenham ajudas e preço equivalente aos colegas europeus.

Registamos como positiva a atenção que o leite tem merecido nos últimos dias bem como as medidas apresentadas pelo governo e por diversas organizações do setor, no sentido de antecipar ajudas para acudir aos produtores que estão em dificuldades financeiras.

Apoiamos também todas as iniciativas para esclarecimento dos consumidores sobre as qualidades reconhecidas do leite e estamos disponíveis para abrir as portas das nossas explorações para visitas de estudo de modo a explicar de forma transparente como alimentamos e tratamos as vacas com todos os cuidados de segurança e bem-estar animal.

Da parte da APROLEP, contudo, insistimos que, mais do que ajudas, os produtores de leite desejam um preço justo, capaz de cobrir os custos de produção. Sabemos que isso dependerá de um compromisso entre produção, indústria e distribuição, tal como foi anunciado em França recentemente um acordo que aponta para 34 cêntimos / litro de leite. Desafiamos em particular as grandes cadeias de distribuição a darem o exemplo assumindo a responsabilidade de garantirem um preço justo e um tratamento digno para os fornecedores. Propomos que esse compromisso seja assinalado com um rótulo de “Produto lácteo sustentável” que garanta ao consumidor não apenas a origem nacional do produto, mas também um preço ao produtor que permitirá a sua permanência na atividade bem como de todos os que trabalham na fileira e mantém o meio rural vivo, habitado e cultivado.

Por último, verificámos que em Portugal, nos últimos anos, a defesa da agricultura parece tarefa solitária da Ministra do setor, enquanto no exemplo recente da França o Presidente da República e o Primeiro-ministro envolveram-se diretamente nas negociações e na resolução das dificuldades concretas dos agricultores. Cremos que também no nosso país as mais altas figuras do Estado devem passar das declarações genéricas de circunstância em campanha eleitoral para um acompanhamento direto das negociações com os vários agentes económicos de que dependerá a manutenção da atividade agrícola, a ocupação do território e a segurança alimentar. Um país que não protege a mão que lhe dá de comer não terá futuro. A Direção da APROLEP

30-7-2015: É TEMPO DE AGIR PARA SALVAR A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL

Realizou-se no dia 15 de Julho, entre Vila do Conde e Póvoa de Varzim, uma manifestação em que participaram muitas centenas de produtores de leite do norte e centro de Portugal. Com a sua presença massiva, com centenas de tratores e máquinas agrícolas, os agricultores quiseram expressar de uma forma muito clara a enorme dificuldade que vive o setor.

Todos os dias, os produtores de leite, como outros agricultores, fazem um esforço enorme para cumprir a sua parte na cadeia de produção, a parte que exige mais esforço e sacrifício entre o prado e o prato. Fazem-no em condições económicas cada vez mais complicadas que ameaçam a sobrevivência das suas empresas, dos seus colaboradores e fornecedores.

No último ano, o preço do leite ao produtor baixou 25%; Em Maio, no continente, registou-se um preço médio de 28,3 cêntimos/ kg de leite ao produtor; Há casos abaixo de 23 cêntimos. Muitos produtores estão desesperados com falta de liquidez e adiam pagamentos. Aumentou o abate de animais e regista-se racionamento alimentar em muitas vacarias.

Os produtores de leite não pediram subsídios mas apontaram uma solução: a substituição das importações de leite e produtos lácteos, nomeadamente queijo e iogurtes, por produtos nacionais, mais próximos, mais frescos, cujo consumo faz bem à saúde dos portugueses e à economia de Portugal.

Depois desta manifestação que respeitou a ordem pública e a propriedade privada, com uma mensagem positiva para sensibilizar o consumidor, compete agora à indústria e distribuição, sob supervisão do governo, negociarem novas condições que permitam escoar a produção nacional com um preço justo ao produtor, que permita pagar os custos de produção.

No mesmo dia, a APED, Associação que representa a Distribuição, afirmou, em comunicado citado pela comunicação social, que “Durante 30 anos a existência de quotas leiteiras impediu que o mercado português fosse “inundado” com os excedentes de produção de outros mercados com custos mais competitivos, já que as características climáticas no centro e norte da Europa são mais favoráveis à produção de leite”. No entanto, é preciso lembrar que, nos últimos 5 anos, apesar dessas dificuldades naturais, o preço médio pago ao produtor em Portugal foi inferior à média comunitária, portanto, da parte dos produtores portugueses a competitividade do preço foi assegurada.

Por outro lado, precisamente na França, um dos países onde se fabricam algumas marcas brancas que os hipermercados vendem em Portugal, depois de semanas de violentas manifestações de agricultores em desespero por causa do baixo preço da carne de porco, carne de bovino e do leite, registou-se a intervenção do governo com medidas de emergência para ajudar os agricultores, compromisso da distribuição em abastecer-se da produção nacional e acordo entre indústria e distribuição para subir cerca de 4 cêntimos o preço do leite. Entretanto, o governo espanhol já admitiu estudar se pode aplicar no seu território o acordo lácteo francês.

É chegado o momento de passar de palavras vagas para respostas concretas:

  • O governo português está disposto a adotar as medidas implementadas em França e a promover o consenso na cadeia de valor dos produtos lácteos?
  • A indústria está disponível para sinalizar de forma explícita a origem dos produtos lácteos com o selo “Portugal sou eu” ou equivalente?
  • As várias cadeias de distribuição estão dispostas a divulgar qual a percentagem de produtos lácteos nacionais que comercializam e assumir o compromisso de aumentar esse valor?
  • Governo, indústria e distribuição estão disponíveis para agir com a urgência que a situação exige ou irão reagir apenas quando os protestos dos produtores evoluírem para ações de desespero ou para o encerramento definitivo das suas empresas?

15-7-2015 – PELA SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR DE PORTUGAL (COMUNICADO DA MANIFESTAÇÃO)

A produção de leite em Portugal atravessa provavelmente a etapa mais difícil da sua história. No último ano, o preço do leite ao produtor baixou 25%. Os últimos dados oficiais indicam que em Maio, no continente, registou-se um preço médio de 28,3 cêntimos/ kg de leite ao produtor, bem longe dos 35 cêntimos que pode atingir o custo de produção. Depois disso alguns compradores impuseram novas descidas e largas dezenas de produtores estão com preço médio de 23 cêntimos por litro de leite produzido. Muitos estão desesperados com falta de liquidez, aumentou o abate de animais e registar-se-à certamente o racionamento alimentar em muitas vacarias. Perspectiva-se o abandono da atividade para muitos produtores e o aumento do endividamento para os poucos que resistam.

Três meses depois do fim das quotas leiteiras, situação que a União Europeia apresentou com a oportunidade para produzir sem limites, diversos compradores estão a impor aos produtores limites inferiores à quota detida até Março, o que obriga os produtores a travar a fundo para conter a produção e vai limitar ainda mais o já baixo rendimento, pois mantém-se os custos fixos. Esses limites são motivados pelo aumento dos stocks de leite e produtos lácteos transformados e esse aumento de stocks foi consequência do ligeiro aumento de produção de leite em Portugal mas sobretudo da redução do consumo (devido aos mitos e dúvidas infundadas que foram lançadas sobre os benefícios do leite como alimento) e da dificuldade de exportação para mercados tradicionais como Espanha ou Angola.

Apesar das dificuldades crescentes na produção de leite nacional, continua a registar-se a importação de leite para marcas brancas, queijo e iogurtes, de que resulta um défice anual de 200 milhões de Euros em produtos lácteos, inaceitável quando temos disponibilidade de leite fresco, próximo e de qualidade reconhecida.

Para que o consumidor possa “comprar o que é nosso”, é necessário que as superfícies comerciais disponibilizem e dêem prioridade aos produtos nacionais nas suas prateleiras, substituindo as atuais importações de sobras de produtos lácteos europeus por produto nacional, para que a produção nacional possa sobreviver.

Por outro lado, consideramos que compete à indústria de lacticínios apostar em produtos de valor acrescentado, na inovação, no marketing, na partilha de resultados e comunicação com os produtores, na conquista de novos mercados e na fidelização dos consumidores nacionais, dando maior visibilidade ao símbolo PT ou outro equivalente, como o “Portugal sou Eu”, que identifique claramente a origem do leite e produtos lácteos nacionais, como é o caso dos excelentes iogurtes e saborosos queijos que se produzem em Portugal através do trabalho de milhares de pessoas, do prado ao prato.

Consideramos ainda que compete ao Governo fiscalizar as importações que ocorrem a preços estranhamente baixos, dinamizar as exportações e atuar como mediador para uma repartição mais justa da margem na cadeia de valor do leite, entre Distribuição, Indústria e Produção. Compete-lhe ainda defender a produção portuguesa em Bruxelas, onde o Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan, continua a negar a existência de crise na produção de leite da Europa.

Recordamos que apesar de sermos cada vez menos produtores produzimos leite de alta qualidade e em quantidade suficiente para as necessidades do país, pelo que renovamos o apelo ao consumo de leite e produtos lácteos nacionais, com o símbolo PT, porque só essa opção poderá permitir a independência e segurança alimentar do nosso país.

A Direção da APROLEP

1-5-2015 – APELO AOS CONSUMIDORES: NESTE 1º de MAIO, COMPRE PRODUTOS PORTUGUESES

 

A situação dos produtores de leite agrava-se a partir de hoje. Depois de outras baixas registadas em Abril e nos meses anteriores, diversos compradores comunicaram novas baixas de preço ao produtor de leite a partir de 1 de Maio, entre 1 e 3 cêntimos, pelo que prevemos que o preço médio a receber pelo produtor irá rondar os 28 cêntimos / litro em Maio, valor claramente abaixo dos custos de produção, que estimamos entre 30 e 35 cêntimos. Registamos também com muita preocupação dificuldades de escoamento da produção de leite de alguns produtores e cooperativas.

Aparentemente, essas dificuldades devem-se ao excesso de leite no mercado europeu, em particular na Península Ibérica. Contudo, sabemos que Portugal tem um défice comercial nos lacticínios superior a 200 milhões de euros anuais, essencialmente pela importação de queijos e iogurtes.

Anunciam-se para hoje grandes promoções nas superfícies comerciais durante o feriado do 1º de Maio, dia do trabalhador. Renovamos por isso o nosso apelo ao patriotismo de industriais, distribuição e consumidores para a escolha preferencial de leite e produtos lácteos portugueses de modo a salvar a produçao de leite nacional e valorizar o trabalho dos milhares de portugueses que asseguram a produção e transformação do leite português. 1 de Maio de 2015.

A Direção da APROLEP

9-4-2015 – APELO AO COMISSÁRIO EUROPEU DA AGRICULTURA

Face à visita a Portugal do Senhor Comissário Europeu da Agricultura, a Direção da APROLEP entendeu tornar públicas algumas das preocupações atuais dos produtores de leite cuja resolução depende da Comissão Europeia:

  1. Estamos na época de iniciar a sementeira do milho, o principal alimento das vacas leiteiras em Portugal e estamos também a iniciar o período de candidatura às ajudas anuais da PAC, Política Agrícola Comum, no caso o “Pedido Único 2015”, e subsistem muitas dúvidas nos técnicos e agricultores quanto à possibilidade de cumprimento da diversificação de culturas no âmbito do “Greening”, com as novas exigências ambientais da PAC 2015-2020, pelas explorações agrícolas com mais de 10 hectares de superfície agrícola.
  2. Para os produtores de leite, são penalizadoras todas as opções colocadas em cima da mesa no âmbito do “greening” para a Primavera-Verão de 2015: Reduzir 25% da área habitualmente semeada com milho, trocando-a por uma cultura de rendimento muito inferior, o que obrigará a mais despesas com a compra de rações ou abdicar de uma percentagem importante das ajudas comunitárias, depois do preço do leite ao produtor também ter baixado de forma significativa sem que a Comissão reconheça a atual crise no setor.
  3. Apelamos por isso à Comissão Europeia, na pessoa do Comissário Europeu para a Agricultura, Sr Phil Hogan, para simplificar a aplicação das regras do Greening da PAC ainda em 2015, de modo a que os agricultores e produtores de leite portugueses não sejam discriminados face aos colegas europeus para quem a Comissão Europeia já apresentou soluções, como o caso dos produtores franceses, considerando os benefícios ambientais da cultura de inverno que também faz parte da rotação cultural do nosso país. Esperamos também que sejam atempadamente definidas as regras para 2016 e anos seguintes, de forma a não impedir os produtores de leite de aceder às ajudas criadas precisamente pela União Europeia para os compensar pelos desequilíbrios do mercado que não foi capaz de resolver.
  4. Não obstante, cremos que a Comissão Europeia deve trabalhar para um mercado mais justo na produção de leite a nível europeu, através de um observatório do leite com informação mais atempada, reforço da posição negocial dos produtores e vigilância do mercado para evitar dumping com canalização de sobras de leite dos países mais poderosos para mercados como o português.
  5. Ficamos na expectativa que o Senhor comissário tenha atenção às nossas dificuldades, na certeza que todos os partidos, órgãos de soberania e organizações agrícolas que com ele contactem lhe transmitam também estas nossas preocupações.

9 de Abril de 2015

20-2-2015 -CONCLUSÕES DO SEMINÁRIO AJADP / APROLEP

PRODUZIR E VALORIZAR O LEITE NUMA EUROPA SEM QUOTAS

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal e a AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, organizaram no dia 20 de Fevereiro, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um Seminário subordinado ao tema: “Produzir e valorizar o leite na europa sem quotas”, tendo participado cerca de 300 produtores de leite.

O seminário foi aberto pelo Diretor Geral de Alimentação e Veterinária, Professor Álvaro Mendonça, em representação do Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar. Ainda na sessão de abertura, Joaquim Costa, pela AJADP, alertou que “a caminhada para um previsível mar de leite europeu” exige “união de esforços, diálogo e uma estratégia comum com os diversos industriais”. Alertou para a necessidade da rotulagem da origem do leite e recordou que “o sector dos lácteos tem uma incontornável relevância, pois vale cerca de 1,3% do PIB nacional e a sua produção representa 11% do valor da produção agrícola nacional, com milhares de produtores”. Deixou uma nota de preocupação face ao volume de produção em países como Alemanha ou França mas também uma nota esperança face à subida do preço do leite nos mercados internacionais.

Carlos Neves, presidente da APROLEP, deixou aos produtores uma mensagem de esperança, porque “nenhum produtor de leite estará condenado pela pouco dimensão da sua exploração ou pelo facto de estar em Portugal”, havendo margem para melhorar a gestão e o maneio em muitas explorações, mas alertou também que “nenhum produtor estará salvo pelo facto de ser mais eficiente, se ficar sozinho a produzir” deixou por isso um apelo à participação dos produtores na gestão das cooperativas e à adesão e participação dos produtores nas várias associações, nomeadamente a APROLEP e explicou a importância dos produtores saírem do isolamento e comunicarem com colegas de outras regiões ou países, como é o caso dos Açores ou de Espanha.

A primeira intervenção do seminário, “Análise Comparativa de custos de produção na Europa”, esteve a cargo de José Alves, em representação da EDF – European Dairy Farmers, uma Associação europeia de produtores de leite que partilham e comparam dados contabilísticos das suas explorações. Na sua apresentação, mostrou que a produção de leite em Portugal tem custos elevados com a aquisição de alimento para os animais mas tem também um alto nível de produção de forragem e de leite por hectare. Da sua análise resulta que as diferenças no rendimento são maiores entre produtores no mesmo nível de produção do que entre escalões ou países diferentes, de onde se pode concluir que ainda é possível melhorar muito a gestão em muitas explorações.

Seguiuse depois Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de S. Miguel e da Federação Agrícola dos Açores. Na sua intervenção, recordou que ao longo dos anos os produtores de leite nos Açores tiveram como objetivo ter o leite ao preço do continente, objetivo que foi agora cumprido mas ao contrário do desejado, pois não viram o aumento do preço do leite açoriano mas antes uma descida do preço do leite no continente. Explicou que a agricultura representa 50% da economia dos Açores e desses 50%, o setor do leite representa 70% da economia da agricultura e recordou que a produção de leite nos Açores representa 30% do total nacional. Apelou à agregação de associações para ajudar os produtores a ganharem peso negocial e para contribuírem para mudar a relação cultural em relação ao leite e valorizar mais este produto, um bem essencial demasiado desvalorizado.

A última intervenção no seminário coube a José Maria Alvarez, porta-voz da OPL, Organizacion de Produtores de Leche en Espanha, uma organização que tem como objetivo a representação da produção de leite, permitindo a melhoria da situação do agricultor na cadeia de valor do leite, bem como aumentar a transparência de preços e custos no setor. Defende a melhoria económica e social de todos os produtores de leite, independentemente do tamanho e o local onde se encontram as suas explorações e promove uma fórmula de negociação empresarial baseada na ética, honestidade e transparência entre as partes. A situação atual dos produtores de leite em Espanha é de dificuldade, devido à baixa do preço do leite e à inutilidade dos contratos para garantir um preço digno aos produtores. Esta situação difícil exige a união dos produtores de leite em organizações como a APROLEP e a OPL, para a remuneração do leite num preço justo que cubra os custos de produção e remunere o trabalho de milhares de produtores, familiares e demais colaboradores.

Vila do Conde, 20 de Fevereiro de 2015

29-12-2014 – NUVENS NEGRAS SOBRE A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL

Milhares de produtores de leite em Portugal foram surpreendidos com uma prenda amarga, poucos dias antes do Natal: a comunicação da baixa de 3 cêntimos por litro de leite pago ao produtor, a partir de 1 de Janeiro de 2015. Para a maioria dos produtores, isto representará uma descida de 6 cêntimos / litro no prazo de 8 meses. Para alguns, serão 8 cêntimos. Com esta baixa de quase 10%, a esmagadora maioria da produção irá ficar no limiar da rentabilidade e naturalmente aqueles que mais investiram nos últimos anos terão dificuldade em manter os compromissos assumidos.

Esta baixa de preço, que ocorre quando estamos ainda a três meses do final do regime de quotas leiteiras, representa uma enorme nuvem negra sobre a produção do leite português. É público que o mercado europeu de leite regista dificuldades devido ao embargo russo e à redução de importações por parte da China. Por isso, na nossa opinião, os líderes europeus devem analisar cuidadosamente a evolução do mercado pós-quotas e implementar outras medidas além dos “contratos” e “organizações de produtores” propostas no “pacote do leite”, que se apresentam claramente insuficientes.

Não podemos deixar de sublinhar e lamentar que o preço do leite em Portugal, que permaneceu abaixo da média comunitária desde abril de 2010 e não acompanhou os preços altos registados no norte e centro da Europa, acompanhe agora a tendência de descida. Tínhamos a expectativa que a indústria de lacticínios e a distribuição, afirmando-se defensoras da produção nacional, aproveitassem a oportunidade para corrigir essa injustiça contendo esta descida acentuada de preço.

Para além da descida agora anunciada, permanece nos produtores uma enorme incerteza sobre as perspetivas de mercado e preços para os próximos meses, que exige dos principais atores da fileira uma maior transparência, comunicação atempada e solidariedade na partilha de lucros e sacrifícios entre produtores, cooperativas, industria e distribuição.

É importante apelar ao sentido patriótico dos industriais e distribuidores. Reiteramos que a fileira do leite em Portugal apenas terá futuro se mantiver o grau de auto-aprovisionamento de leite produzido por produtores nacionais. De outra forma a competitividade da indústria e distribuição será apenas momentânea e efémera.

29 de Dezembro de 2014

A Direção da APROLEP

 7-7-2014 DESCIDA DO PREÇO DO LEITE ESMAGA MARGEM DOS PRODUTORES

Os principais compradores de leite em Portugal anunciaram uma descida do preço do leite ao produtor a partir de 1 de Julho, cerca de 1,5 cêntimos; Trata-se da segunda baixa do preço este ano, sendo o valor acumulado nas descidas de 4 cêntimos por litro para a maioria e até de 5 cêntimos para alguns produtores.

Esta nova descida acontece em contraciclo com os principais países produtores de leite na Europa que depois de terem registado algumas descidas no início da primavera já estão com recuperação de preços.

É lamentável que a nossa indústria de lacticínios não seja capaz de pagar o leite português ao nível da média europeia apesar de registar lucros consideráveis e proporcionar salários e mordomias principescas para alguns administradores, o que revolta os produtores de leite.

A perpetuação de baixos preços e grandes injustiças leva ao desânimo, ao abandono da produção e desencoraja a instalação de jovens agricultores, tendo como consequência o envelhecimento do sector leiteiro.

Que estratégia é esta? Ser competitivo no imediato esmagando a margem dos produtores, utilizando como referência os preços de leite spot (sobras pontuais de leite trocadas entre compradores) quando estão em baixo e ignorados quando estão em alta? Esperam no futuro abastecer as fábricas de laticínios com leite produzido em Portugal ou com essas sobras de leite importado?

Como é possível não haver uma visão de sustentabilidade, a longo prazo, de um sector?

Como é possível definir estratégias para o futuro sem dialogar com os produtores como parceiros comerciais a respeitar e preservar?

Que patriotismo é este dos nossos industriais e distribuidores, anunciado na publicidade e renunciado na prática com importações de leite e laticínios?

É preocupante que esta situação ocorra quando estamos ainda no último ano de vigência das quotas leiteiras. Se agora a margem dos produtores já é esmagada, como será o comportamento de Indústria e distribuição com os excedentes que o resto da Europa pode produzir a partir de Abril de 2015, no “pós-quotas”?

A PARCA, Plataforma de Acompanhamento das relações na Cadeia Agroalimentar, já reuniu e analisou este novo desequilíbrio das margens ao longo da cadeia? Porque demoram tanto os resultados esperados da atuação desta plataforma?

Os produtores de leite estão desiludidos, desanimados, revoltados e preocupados…

Face ao agravar da situação, a APROLEP já solicitou uma reunião com urgência à Senhora Ministra da Agricultura, esperando que a sua intervenção ajude a preservar os poucos produtores de leite que ainda resistem mas que sofrem agora nova asfixia que pode ser letal para a Produção de Leite Nacional.

A Direção da APROLEP

27-3-2014 – MANTER O PREÇO PELO FUTURO DO LEITE PORTUGUÊS

Vários produtores de leite foram recentemente surpreendidos com mensagens enviadas por alguns compradores, avisando sobre uma prevista baixa do preço em Abril, justificada com o “mercado” e baixas de preço noutros países da Europa, mas sem adiantar o valor em causa. Essa prática coincidiu com notícias divulgadas pela comunicação social espanhola, segundo as quais vários compradores de leite estariam a preparar os produtores para baixas de preço sem divulgar, no entanto, números exatos porque, entre outras razões, todos aguardam os ajustes das outras empresas lácteas.

Estas notícias são particularmente preocupantes na véspera de grandes despesas que os produtores terão de realizar com a colheita das forragens da primavera e a sementeira do milho. A preocupação aumenta quando se perspetiva que o preço das rações volte a subir, porque ao preço alto da soja juntou-se a crise na Ucrânia, país exportador de cereais.

Não nos parece que a baixa no mercado mundial de produtos lácteos seja justificação para idêntica descida, a nível nacional ou ibérico, pois o preço médio pago ao produtor em Portugal não acompanhou a subida registada no Norte da Europa, no último ano, e o mercado do leite português é essencialmente doméstico. Com efeito, os últimos dados divulgados pela comissão europeia, relativos a Janeiro de 2014, apontam um preço médio de 40 cêntimos/Kg na União europeia, 38,2 em Espanha e 36,5 em Portugal.

Temos fortes razões para crer que a manutenção desse preço, abaixo da média comunitária, é a principal razão para que a produção de leite em Portugal na campanha 2013/2014 permaneça abaixo da quota disponível e 3,5% abaixo do ano anterior.

Trata-se de um cenário preocupante que traduz bem as dificuldades que o sector tem atravessado nestes últimos três anos e ainda não superou. Os produtores de leite são cada vez menos, em idade mais avançada e assistiu-se também à redução do efetivo leiteiro e da área cultivada com milho para silagem.

A APROLEP apela à indústria e distribuição para uma reflexão sobre estes números, sobre o futuro do aprovisionamento do leite em Portugal e sobre a mensagem que pretendem enviar aos últimos resistentes que produzem leite. Se não foi possível acompanhar a subida registada noutros países, que haja agora um esforço partilhado para manter o preço e dar esperança aos produtores que têm muito trabalho pela frente e ainda dívidas para saldar.

A Direcção da APROLEP

20-3-2014 – INOVAR E DIVERSIFICAR NO SECTOR DO LEITE

Maria do Céu Patrão Neves, Eurodeputada, e Manuel Cardoso, Diretor Regional de Agricultura do Norte, aconselharam a fileira do leite a inovar e diversificar nos produtos derivados do leite. Apostar forte nas organizações de produtores e na união da produção, indústria e distribuição são as principais mensagens deixadas no debate sobre Preparar o fim das Quotas Leiteiras, realizado no dia 20 de Março, em Vila do Conde.

Quanto mais forte for a organização, mais capacidade tem de gerir a oferta e negociar preços“, afirmou Maria do Céu Patrão Neves no seminário organizado pela APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal (www.aprolep.pt) e pela AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto (www.ajadp.net).

A Eurodeputada defende ainda que Portugal tem de encontrar alternativas para se tornar mais forte e competitivo no sector, uma vez que 14 países dos 28 da União Europeia são totalmente contra as quotas e não houve até agora, a nível europeu, força para impor medidas legislativas que envolvam a distribuição.

Por outro lado, Manuel Cardoso reforça que “os países mais desenvolvidos do mundo no que respeita à agricultura têm fortes e grandes organizações de produtores. Portugal tem de seguir este caminho”, conclui.

Maria do Céu Patrão Neves acrescentou ainda como sinal positivo o Observatório Europeu do Leite que começa a funcionar em Maio com o fim de monitorizar a evolução do sector.

Inês Vacas, Chefe de Divisão dos Mercados Agrícolas do Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura e do Mar, fez o ponto da situação sobre a reforma da PAC relativamente ao sector do leite. Carlos Neves, presidente da APROLEP, alertou que as ajudas diretas previstas na nova PAC sendo positivas serão muito limitadas, pelo que a produção terá de ser eficiente e devidamente valorizada no preço pago ao produtor. Concluiu sublinhando que o fim das quotas não deve ser motivo de pessimismo e resignação mas de esperança e mobilização dos produtores para ganharem peso negocial numa europa cada vez mais liberalizada.

Este seminário teve como objetivo despertar a fileira do leite em Portugal para a necessidade de preparar a entrada em vigor de novas regras políticas e económicas, no âmbito da nova PAC, e do fim anunciado das quotas leiteiras.

9-8-2013: VALORIZAR O LEITE PARA VENCER A CRISE

Os produtores de leite portugueses sofrem ainda as consequências da difícil combinação de factores negativos ocorrida em 2012, com a subida dos custos de produção e a descida sucessiva do preço do leite ao produtor. Essa tendência inverteu-se no final do ano, mas a recuperação plena ainda não ocorreu. Pelo contrário, sentem-se os efeitos acumulados da penúria vivida pelos produtores nos últimos três anos: a produção em Abril deste ano ficou 8% abaixo de igual mês em 2012 e acumularam-se dívidas a cooperativas e fornecedores em geral. As vagas de calor registadas este Verão certamente agravam estes números, pois provocam problemas de saúde nos animais e redução da produção.

Por outro lado, todas as notícias sobre a reforma da PAC, apesar de pouco definidas, apontam para uma redução das ajudas europeias aos agricultores após 2015, ao mesmo tempo que desaparece o controlo europeu da produção através das quotas leiteiras, prevendo-se que o preço do leite ao produtor irá variar com mais imprevisibilidade.

Neste momento os preços do mercado internacional de produtos lácteos são favoráveis, mas nem esses aumentos parecem chegar aos produtores portugueses, nem os aumentos que vamos observando nas prateleiras da distribuição. Após três anos consecutivos, o preço do leite ao produtor em Portugal permanece abaixo da média comunitária, precisamente na época do ano em que surgem custos superiores com a rega das culturas, ao contrário dos colegas do Norte da Europa que não precisam regar e recebem mais ajudas da Política Agrícola Comum. Esta situação de mercado favorável nos produtos lácteos deveria permitir aos produtores pagar dívidas e acumular alguma reserva para épocas de preço baixo que voltarão a surgir a médio prazo, mas para a produção a época de vacas gordas ainda não chegou e assim os produtores arriscam-se a passar mais um verão a trabalhar para aquecer.

Assistimos nos últimos tempos a múltiplos apelos à valorização da actividade agrícola, mas passar das palavras aos actos implica valorizar os produtos agrícolas. Só assim a agricultura será viável e terá futuro em Portugal.

20-01-2013 – DEPOIS DA TEMPESTADE, QUE SE DÊ LUGAR À ESPERANÇA

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, quer manifestar solidariedade com todos os que sofreram as consequências do mau tempo, nomeadamente com os agricultores e produtores de leite que estiveram ou ainda estão sem energia e/ou sofreram estragos em resultado do vento forte. Além de inúmeros prejuízos de pequena ou média dimensão nas cercas, equipamentos ou coberturas, devemos destacar duas situações graves de que tivemos conhecimento: Duas vacarias que ficaram completamente sem telhado, uma em Vila nova da Telha, Maia e a outra em Amorim, Póvoa de Varzim. Já alertámos a respectiva Direcção Regional de Agricultura e esperemos que seja possível ao Governo apoiar a reconstrução das instalações para abrigo dos animais. Depois de todas as dificuldades passadas em 2012 com o baixo preço do leite e os altos custos de produção, que se prevê continuarem elevados em 2013, esperamos que haja agora mais solidariedade com os produtores por parte de cooperativas, indústria e distribuição, através de um preço do leite mais justo, capaz de cobrir os custos de produção.

22 de Outubro: MAIS DO QUE NUNCA, PRECISAMOS DE PREÇO JUSTO PARA A PRODUÇÃO DE LEITE

A APROLEP considera positivo o apoio extraordinário aos produtores de leite hoje anunciado e saúda todos os que trabalharam e contribuíram para este desfecho, nomeadamente a Senhora Ministra da Agricultura e todo seu gabinete, os responsáveis de todos os quadrantes políticos que abordaram a questão do leite a nível nacional e comunitário, as várias organizações agrícolas e os produtores que participaram nas manifestações, conferências de imprensa e outras iniciativas em defesa de toda a fileira do leite português.

Infelizmente, esta ajuda extraordinária, que representa o reconhecimento das dificuldades dos produtores pelo poder político, é claramente insuficiente para fazer face ao aumento dos custos de produção e baixado preço do leite ao produtor. Seis milhões de euros em dois anos representam meio cêntimo por litro (pago em dois anos), quando a ração subiu mais de dez cêntimos e o preço do leite ao produtor em Portugal desceu cerca de 3,5 cêntimos desde Janeiro, mantendo-se desde Maio do ano 2010 abaixo da média comunitária. Por tudo isto, além de todo o esforço que já fizemos e devemos continuar para reduzir custos de produção, temos de reafirmar que a sobrevivência da produção de leite em Portugal terá sempre de passar pelo aumento do preço ao produtor e a valorização do leite português dependerá sempre de uma nova relação entre a indústria e a distribuição e de novos equilíbrios na partilha de esforços e valores ao longo da fileira.

É público que a relação indústria distribuição é complicada desde há muito tempo e será preciso muita força, trabalho, paciência e coragem para que ocorram mudanças positivas. Precisamos que no âmbito da PARCA, Plataforma de acompanhamento das Relações da Cadeia Agro-alimentar, surja um mercado mais equilibrado. Precisamos de mudanças positivas nos vários actores da fileira para construir pontes em vez de muros. E precisamos de tudo isso com urgência. Todos os meses crescem as dívidas aos nossos fornecedores. Todas as semanas há vacarias que fecham. Todos os dias aumenta a angústia, a tristeza, o desânimo e a revolta dos produtores de leite que resistem, dos seus familiares e colaboradores. Por nós, por eles, não vamos desistir de lutar, de todas as formas possíveis, pela sobrevivência deste sector.

29-08-2012: Confirmam-se as piores expectativas para os produtores de leite em Setembro

A maioria dos produtores de leite portugueses foi já informada da baixa de mais um cêntimo por litro de leite vendido à indústria a partir de um de Setembro. Em sentido inverso, muitos produtores tomaram conhecimento da subida de dois cêntimos por Kg de ração para alimentação dos animais para o mesmo mês.

Esta é uma situação incompreensível e insustentável economicamente que está deixar os produtores revoltados, indignados e desiludidos.

Apesar das boas intenções manifestadas por todos os intervenientes da cadeia de valor e Governo, o facto é que o leite já baixou 3,5 cêntimos por litro em sentido  inverso aos custos com a alimentação animal que subiram.

A dura realidade é que não temos tempo para aguardar pelos resultados de propostas legislativas que o Governo prometeu apresentar em Setembro. Entre a apresentação, debate, aprovação, promulgação, publicação e regulamentação passará demasiado tempo, aumentarão as dívidas e fecharão as portas muitas explorações. Assim:

– Face à subida vertiginosa dos custos de produção nos últimos meses, propomos que a Senhora Ministra da Agricultura e o Ministro da Economia, com o patrocínio do Primeiro-ministro, promovam, com carácter de urgência, negociações extraordinárias entre a indústria e a distribuição para actualizar o preço ao produtor para um nível superior aos custos de produção;

– Desafiamos também os responsáveis das várias associações agrícolas, cooperativas, indústria e distribuição a pronunciarem-se publicamente sobre a situação actual dos produtores e a avançarem com propostas concretas e positivas para a sobrevivência da produção de leite em Portugal.

Sim à partilha de esforços e valores; Não à asfixia da produção!

29 de Agosto de 2012

Associação dos Produtores de Leite de Portugal

 06-06-2012: PRODUÇÃO DE LEITE MAIS PERTO DO ABISMO

A maioria dos produtores de leite portugueses tomou conhecimento de nova descida no preço do leite produzido desde 1 de Junho, cerca de 1,5 cêntimos. Para alguns produtores essa descida já ocorreu em Abril. Com esta segunda quebra, são menos 2,5 cêntimos por litro desde o início do ano.

No sentido inverso, aumentam os custos de produção. Além do aumento do preço da palha por causa da seca, sofremos um aumento brutal no custo da ração, em alguns casos cerca de 6 cêntimos por Kg, chegando aos 40 cêntimos na ração comprada e aos 30 cêntimos no leite vendido. Preço do leite a descer e custos a subir, duas forças que nos empurram para o abismo em que não tardarão a cair as explorações em maiores dificuldades, seguindo-se todas as outras se a tendência se mantiver.

Esta baixa segue a tendência dos preços nos últimos meses da Europa, mas é uma desilusão que a indústria nacional, privada e cooperativa, não tenha acompanhado os preços quando subiram na Europa e agora não seja capaz de os segurar quando descem. É uma desilusão não haver partilha de sacrifícios sendo a solução do costume baixar o preço ao produtor.

É uma desilusão ainda maior vermos o preço a cair desde que foi criada pelo Governo a Parca – Plataforma de Acompanhamento da Industria Agro-alimentar, cujo único resultado visível foi um relatório a confirmar o que já sabíamos e denunciámos regularmente: “Agricultores não conseguiram repercutir nos preços de venda o aumento dos custos de produção o que teve um impacto fortemente negativo sobre as margens da actividade, indiciando desequilíbrio negocial (…) A partir de 2009 observou-se que os preços dos bens alimentares na produção, na indústria e no consumidor tiveram um crescimento inferior ao da inflação. Esta tendência revela a importância dos bens alimentares na contenção geral dos preços. É no entanto conseguido, contudo, com sacrifício dos rendimentos dos agricultores”. Está feito o diagnóstico. E qual o remédio, senhora Ministra? E para quando?

Está oficialmente explicado quem pagou as “promoções” e os “preços sempre baixos o ano inteiro”. E assim, enquanto se aperta o cinto a quem trabalha no meio rural e se fazem festas em Lisboa sobre a “produção nacional”, a “moderna distribuição” vai servindo pão e circo ao povo da cidade, perante a paralisia do governo e a incapacidade da indústria valorizar o leite que produzimos, por enquanto, até cairmos definitivamente no abismo.

11-5-2012» Leite: Contratos equilibrados para um preço justo

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, saúda a intenção do Governo avançar com a implementação de contratos na fileira do leite, mas considera haver ainda muito trabalho a desenvolver para que esses contratos envolvam produção, transformação e distribuição de forma efectiva, equilibrada e responsabilizadora.

Os contratos não substituem as quotas leiteiras e Portugal deve bater-se prioritariamente a nível europeu pela continuação desse regime que permite evitar excedentes de produção, mas a APROLEP já defendeu publicamente há longos meses a necessidade de avançar com um “Plano B” para o provável fim das quotas e os contratos foram a única alterativa proposta pela União Europeia. Devemos alertar, contudo, que esses contratos de pouco servirão se não houver um reforço do poder negocial dos produtores e uma forma de indexar o preço do leite não só à evolução do mercado de lácteos mas também dos custos de produção, em particular da alimentação animal.

Depois dos prejuízos causados pela seca no início deste ano, parcialmente atenuados pela chuva dos últimos dias e pela ajuda prometida, permanece alto o preço da palha (mais 2 ou 3 cêntimos por Kg e receio de grandes quebra de produção em Espanha para a próxima época) e disparam os preços da ração (subida entre 4 a 5 cêntimos por kg nos últimos meses e subida assustadora da Soja para 400 euros / tonelada), enquanto desceu o preço pago pelo litro do leite ao produtor entre 1 a 2,5 cêntimos por litro, consoante o comprador.

Esta é a realidade de um mercado onde os produtores não controlam o custo dos factores de produção, pois os cereais negoceiam-se na bolsa de Chicago, nem o preço de venda do leite que produzem, que em última instância depende da negociação entre indústria e distribuição e da guerra de promoções que esta última queira fazer.

Por tudo isto, porque a situação actual não é sustentável nem se resolve com esmolas de Bruxelas, precisamos de contratos sim, mas com preço de referência fortemente baseado na evolução dos custos de produção, responsabilizando a distribuição de forma efectiva e com a presença activa de um mediador / provedor nomeado pelo Estado. Reafirmamos que o Estado não se pode demitir da sua função normal em qualquer Estado de Direito: estabelecer regras, fiscalizar o seu cumprimento, arbitrar conflitos e penalizar de forma exemplar os prevaricadores. O Estado não pode abandonar os produtores na actual situação de desequilíbrio negocial.

Por último, tendo em conta a dimensão do sector cooperativo na recolha, transformação e definição de preços e tendo ainda em conta as habituais dificuldades de negociação entre o produtor e a sua cooperativa, devemos também acompanhar e participar em todo o processo de adaptação das cooperativas a esta nova realidade económica e jurídica, porque se as cooperativas forem capazes de valorizar bem o leite e partilhar o valor com o produtor, podemos ter mais esperança no futuro da produção de leite em Portugal.

2-3: Incompreensível baixa do preço do leite ao produtor

Os produtores das cooperativas associadas na LACTOGAL (AGROS, LACTICOOP E PROLEITE) estão neste momento a receber menos um cêntimo por litro de leite que no início de 2012.

É incompreensível que esta baixa ocorra quando aumentam os custos de produção. Além da seca reduzir a produção de forragem e aumentar o custo da palha, temos casos de rações à base de cereais que já subiram 30 euros por tonelada desde o início do ano.

É incompreensível que seja a indústria cooperativa a primeira a baixar o preço aos produtores seus associados. Apelamos à indústria privada para que não adopte a mesma atitude.

É incompreensível estar há dois anos com preço abaixo da média comunitária, quando temos menos ajudas públicas e mais custos de produção.

É incompreensível que todos nos dêem razão e não haja acção com resultados concretos.

É incompreensível esta caminhada para o abismo.

20-2: Seca afecta produção de leite e exige aumento do preço ao produtor

Os números divulgados nos últimos dias são preocupantes e exigem resposta imediata. 75% do território português está em seca severa ou extrema. Faltam já as pastagens para os animais e faltará a quantidade e qualidade da forragem a colher na próxima primavera.

A alternativa para alimentar os nossos animais será a importação de palha e aumento do consumo de rações, mas com a seca sobem já os preços da palha e sobe também o custo da ração devido ao aumento do preço do petróleo e à especulação habitual, o que significa aumento do custo de produção do litro de leite.

Face a esta situação, além de reforçarmos outros apelos que já foram dirigidos ao governo para que pondere medidas de apoio a nível nacional e comunitário, cremos que a resposta mais justa, rápida e eficaz pode e deve vir da indústria e da distribuição, através do aumento imediato do preço ao produtor para fazer face a estes aumentos do custo de produção.

É bem conhecida a difícil situação económica em que se encontram os produtores de leite portugueses desde há dois anos, com preços abaixo da média comunitária. Nos últimos dados divulgados pela comissão europeia, Portugal tinha o preço mais baixo da Europa ocidental (UE15). O governo e todos os partidos com representação parlamentar não podem ignorar esta situação.

20 -1-2012 – Comunicado sobre Colóquio: Reformar a PAC; preparar o fim das quotas leiteiras

A AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, organiza hoje, 20 de Janeiro de 2011, em cooperação com a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, pelas 14h00, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um Debate subordinado ao tema: “REFORMAR A PAC E PREPARAR O FIM DAS QUOTAS LEITEIRAS”, sendo esta iniciativa apoiada pela Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende. A sessão de abertura será presidida pelo Secretário de Estado da Agricultura, Engº José Diogo Albuquerque, estando presente também o Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde e presidentes de várias organizações agrícolas locais. Segue-se a intervenção do Engº David Gouveia, do Gabinete de Planeamento e Políticas do MAMAOT e comentário do Dr. Arlindo Cunha, ex-ministro da agricultura. Esperamos um debate animado com a participação de várias centenas de agricultores. Recorde-se que apresentámos já um conjunto de críticas à actual proposta da reforma da PAC, tendo em conta que esta proposta:

– Não propõem qualquer iniciativa face à especulação nos preços dos cereais utilizados na alimentação animal, que representam 60% dos gastos de produção;

– Não apresenta caminhos para um maior equilíbrio de rendimentos entre Produção, Indústria e Distribuição que conduza a um preço justo para os produtores de leite.

– Não prolonga o regime de quotas leiteiras nem apresenta qualquer sistema alternativo para estabilizar a produção.

Sobre a questão de quotas leiteiras, concordámos ainda que Portugal deve insistir na defesa deste regime, pois o fim do sistema será negativo para o nosso país. Contudo, tendo presente que Portugal parece estar sozinho nessa posição, insistimos que é urgente preparar um “Plano B” para a sobrevivência do sector sem quotas e que não deve depender apenas de alguma ajuda vinda de Bruxelas, mas deve passar pelo aumento da competitividade das explorações agrícolas, pela racionalização do sistema de recolha e transformação, pela melhor valorização dos produtos transformados e pela fidelização do consumidor português para os produtos nacionais, o que só será possível com a colaboração positiva da indústria e das cadeias de distribuição. Só assim poderemos assegurar a instalação sustentada de jovens agricultores no sector e o futuro da produção de leite com a qualidade e quantidade necessárias para manter a segurança alimentar e a soberania nacional.

7-1-2012 -Lutamos pelo futuro da produção agrícola em Portugal

A APROLEP vai hoje participar numa iniciativa inédita promovida por várias associações e confederações independentes que decidiram ultrapassar as diferenças que as caracterizam. Em nome do interesse e da soberania alimentar nacional, associações, cooperativas, agricultores e demais actores de toda a fileira agrícola e do meio rural vão unir-se para exigir que acabe o esmagamento dos preços à produção que em breve tornará toda a economia rural insolvente agravando desta forma o défice agro-alimentar nacional.

Iniciando a concentração junto à Direcção Regional de Agricultura e Pescas em Matosinhos, na Senhora da Hora, queremos dizer à Senhora Ministra Assunção Cristas que está na Hora de sair do “superministério”, descer à terra e defender os produtores agrícolas de práticas comerciais que espremem preços, atrasam pagamentos e promovem importação de produtos que Portugal produz com qualidade e na quantidade necessária para abastecer o mercado nacional como é o caso do leite. É necessário e urgente que o Governo Português seja coerente com a “imperiosa aposta na agricultura para combater o défice agro-alimentar” e se pronuncie claramente sobre esta matéria. Precisamos saber com urgência se o Estado é conivente com esta penosa caminhada para a falência da agricultura nacional.

Vamos depois junto do “Continente” manifestar a indignação dos Produtores pela utilização abusiva de produtos agrícolas de primeira necessidade em promoções agressivas como “isco” para atrair consumidores numa época difícil da nossa economia. Os nossos produtores ficam revoltados quando vêem o litro de leite ser vendido num valor quase três vezes inferior ao custo de produção.

Dados divulgados ontem pela organização holandesa LTO apontam cerca de 35,6 cêntimos /kg leite como preço médio pago ao produtor na Europa em Novembro passado (A principal cooperativa da Holanda pagou 38 cêntimos/kg!!!). Dados do nosso MAMAOT indicam 32,6 cent/kg como preço médio pago em Portugal continental em Novembro. Estamos há dois anos com preço abaixo da média europeia na casa dos 3 cêntimos. Onde está a lógica da importação? Adicionando custos de transporte, transformação e embalamento, como explicar os preços praticados pelos hipermercados que dominam o comércio em Portugal?

Queremos ainda dizer aos outros hipermercados “holandeses” que embarcaram no mesmo tipo de promoções bombásticas e nos dizem “venha cá”, que a seguir “iremos lá” também expressar a nossa indignação. A sua atitude actual pode parecer doce na análise dos números imediatos de vendas ou resultados trimestrais, mas a médio e longo prazo terão um amargo de boca, porque estão a “rebentar” com a economia produtiva e com os consumidores de que precisam.

A produção agrícola em Portugal não terá futuro sem uma justa repartição de valor pelos 3 elos da cadeia (produção, transformação e distribuição). Salvaguardando sempre o custo produtivo, um PREÇO JUSTO é urgente para que continue a existir agricultura em Portugal.

9 de Dezembro – Produção de leite: mudar de ano, mudar de vida!

2011 foi um ano de permanentes dificuldades económicas para os produtores de leite. Na sequência de 2010, sofremos com os preços elevados das matérias-primas para alimentação animal, devido à crescente procura mundial de alimentos agravada pela especulação no mercado que nenhum governo teve coragem de enfrentar. Sofremos também com a impossibilidade de reflectir no preço de venda do leite à indústria esse e outros aumentos dos custos de produção, como combustíveis e adubos. Daí resultou o desânimo e o abandono da produção, ao ritmo de mil produtores por ano.

Apesar desse abandono de produtores, tem sido possível manter a produção ao nível das necessidades do país, mas aumentaram as dívidas aos bancos e a fornecedores. Recentemente, calculámos que nos primeiros nove meses de 2011 os produtores de leite portugueses perderam 40 milhões de euros, considerando que vendemos o leite a um preço médio de 31 cêntimos/kg (dados do GPP do MAMAOT para o continente) e tivemos um custo estimado de 34 cêntimos/kg (estudo publicado na revista “Produtores de leite” nº4). Estimamos que as dívidas a fornecedores ultrapassem já 100 milhões de euros.

Apesar de todos os alertas e apelos que lançámos, apesar das dificuldades dos produtores serem conhecidas e incontestáveis, apesar de se sucederem falências, abandonos de produção (conhecemos vários casos de produtores holandeses que abandonaram o pais no último ano), os produtores portugueses tiveram apenas um cêntimo/litro de aumento em Setembro passado e temos indicações que esse cêntimo cai no final do ano. É um triste presente de natal para produtores que chegam a trabalhar 80 horas por semana, de 2ª a Domingo, 365 dias por ano…

Historicamente, tivemos em Portugal um preço ao produtor ligeiramente superior à média comunitária, mas nos últimos dois anos passamos para a cauda da Europa, como mostram os dados sucessivamente apresentados pela comissão europeia. Assim a produção definha em Portugal e aumenta no norte da Europa, com forte exportação para os países emergentes. Queremos aqui renovar este alerta: com esta margem, a produção de leite não tem futuro em Portugal. No rumo actual, caminhamos para o abismo.

Face à situação actual, apresentamos um conjunto de propostas para a necessária mudança de vida:

– Apelamos a uma maior participação dos produtores na gestão das organizações que recolhem, transformam e comercializam o leite produzido, organizações que lhes pertencem, que foram criadas e apoiadas para obter “valor para produtor”, exigindo uma gestão rigorosa e prudente nos investimentos executados e negócios desenvolvidos.

– Propomos uma atitude mais construtiva no relacionamento indústria / distribuição, de modo a ultrapassar as dificuldades do passado e enterrar o machado de uma guerra feroz, antipatriótica e esmagadora de margens. A produção agrícola em Portugal não terá futuro sem uma justa valorização no mercado, que permita cobrir os custos de produção.

– Exigimos uma acção mais efectiva e célere do Governo. É positivo que tenha ocorrido a primeira reunião da PARCA – Plataforma de acompanhamento das relações na cadeia agro-alimentar, mas é sobretudo preocupante o tempo que pode demorar até que surja algum resultado concreto, e duvidosa a aplicação prática que qualquer conclusão da comissão possa ter. Renovamos o alerta: São muitas explorações leiteiras com grande dimensão, com centenas de animais cuja situação económica não permite esperar muito tempo por resultados. É tempo de agir!

– É urgente preparar o sector para o fim (anunciado como irreversível) das quotas leiteiras e estudar a reforço do poder negocial dos produtores através da implementação de contractos, organizações de produtores e reforço da organização interprofissional.

– Por último, enquanto a União Europeia e Portugal não conseguirem resolver a especulação no preço das matérias-primas e o bloqueio Indústria / distribuição que congela o preço ao produtor, será o desastre final reduzir as ajudas ao produtor de leite, tal como está previsto na reforma da PAC para 2014-2020.

Os produtores de leite orgulham-se do trabalho diário que desenvolvem e querem continuar a fornecer leite saudável, manter a paisagem verde, as aldeias vivas e preservar o meio rural. São milhares de famílias a trabalhar directa e indirectamente para que outras famílias possam dispor diariamente dos nossos produtos. Em tempos de incerteza, Portugal precisa manter a soberania alimentar, através de uma produção próxima, reconhecida e que crie valor no país. Em 2012, os produtores de leite e a APROLEP continuarão a trabalhar, disponíveis a colaborar com todos as pessoas de boa vontade para, em conjunto, melhorar o sector de leite de Portugal.

17 Novembro – Produção de leite: 40 milhões de prejuízo, mais de 100 milhões em dívida a fornecedores

A APROLEP, Associação dos Produtores de Portugal, congratula-se com o nascimento da PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agro-alimentar, esperando que esta seja uma resposta efectiva para a nossa reivindicação de sentar à mesa produção, indústria e distribuição. Fazemos votos de que sejam rapidamente atingidos os objectivos de “identificar problemas, propor soluções para gerar mais transparência nas relações entre as partes e conduzir a uma melhor distribuição na cadeia de valor” na fileira do leite e nas restantes fileiras.

Os produtores foram até hoje as maiores vítimas da guerra entre indústria e distribuição. A situação agrava-se a cada dia que passa. Calculamos que nos primeiros nove meses de 2011 os produtores de leite portugueses perderam 40 milhões de euros, considerando que vendemos o leite a um preço médio de 31 cêntimos/kg (dados do GPP do MAMAOT para o continente) e tivemos um custo estimado de 34 cêntimos/kg (estudo publicado na revista “Produtores de leite” nº4). Mantém-se o ritmo de abandono de produtores e aumentam as dívidas a fornecedores, que estimamos ultrapassarem já 100 milhões de euros, sem contar as dívidas contraídas na Banca, para investimentos e fundo de maneio.

Dada a urgência do problema, apelamos aos diversos intervenientes para que não se repita o arremesso de argumentos sobre quem fez o quê no passado ou quem atirou a primeira pedra, mas que se procurem rapidamente soluções positivas para ultrapassar os estrangulamentos actuais. Nesse sentido, sugerimos que se sigam os bons exemplos do “comércio justo” e que se procure desenvolver contratos indexando o valor do produto à evolução dos custos de produção, o que corresponde, no caso do leite, a indexar o valor da venda à evolução dos custos de rações, fertilizantes e energia.

Precisamos de atingir rapidamente um preço justo, capaz de cobrir os custos de produção, para garantir a segurança alimentar de Portugal e o futuro económico e social do meio rural, de forma sustentável.

 27 de Outubro: Reforma da PAC não promove futuro do leite português!

A análise de conjuntura divulgada recentemente pela comissão europeia relativa ao mês de Agosto demonstra que o preço do leite ao produtor em
Portugal (0,305€/kg) permaneceu 3,9 cêntimos abaixo da média comunitária (0,344€/kg). No gráfico dos 27 estados-membros, apenas 5 países da Europa de
Leste tem preços inferiores a Portugal.

Esta diferença de preços é agravada pela diferença de apoios recebidos da PAC. Portugal recebe actualmente 154€/ha de Superfície Agrícola enquanto a média comunitária é 251€/ha (Dados Mamaot). No caso do leite o diferencial face à agricultura no norte europeu é ainda agravado pelo facto da produção portuguesa
estar concentrada em regiões de minifúndio, com pouca área, parcelas mais pequenas e difíceis de trabalhar. Apesar disso, face aos preços baixos e
elevados custos de produção, as ajudas recebidas são muitas vezes superiores ao resultado da exploração leiteira, conforme indicaram vários Técnicos Oficiais de Contas na última edição da Revista Produtores de Leite.

A combinação destes dois factores explica certamente a baixa de produção (-0,4%) registada entre Abril e Julho de 2011, face a 2010. Lamentavelmente, a proposta de reforma da PAC pós-2013 não responde às dificuldades actuais dos produtores nem promove o futuro da produção de leite em Portugal, porque:

– Não propõem qualquer iniciativa face à especulação nos preços dos cereais utilizados na alimentação animal, que representam 60% dos gastos de produção;

– Não apresenta caminhos para um maior equilíbrio de rendimentos entre Produção, Indústria e Distribuição;

– Não prolonga o regime de quotas leiteiras nem apresenta qualquer sistema alternativo para estabilizar a produção.

Sobre a questão de quotas leiteiras, concordámos que Portugal deve insistir na defesa deste regime, tendo em conta que os estudos disponíveis indicam que o fim deste sistema será negativo para o nosso país. Contudo, face à falta de apoio sentido a nível europeu na defesa das quotas leiteiras, consideramos que é urgente preparar um “Plano B” para a sobrevivência do sector sem quotas que, no entender da APROLEP, não pode depender apenas pela distribuição de “migalhas” da mesa de Bruxelas, mas deve passar pelo aumento da competitividade das explorações agrícolas, pela racionalização do sistema de recolha e transformação, pela melhor valorização dos produtos transformados e pela fidelização do consumidor português para os produtos nacionais, o que só será possível com a colaboração positiva da indústria e das cadeias de distribuição.

18 de Agosto: Não ao aumento do IVA nos alimentos! Sim à valorização do leite português!

O preço do leite ao produtor permanece em Portugal abaixo da média comunitária. Dados recentemente divulgados relativos ao mês de Junho indicaram um preço de 0,346€/ kg de leite pago na média das principais indústrias europeias, enquanto em Portugal o valor foi apenas de 0,31€ no continente e 0,295 nos Açores (dados do MAMAOT).

Esta diferença de preços é agravada por uma diferença de custos de produção, superiores em Portugal, devido à reduzida dimensão dos terrenos, despesas com irrigação das culturas e menores ajudas recebidas por litro de leite, o que tem conduzido ao encerramento de muitas explorações pecuárias e à asfixia financeira das que resistem.

Esperamos que o governo promova rapidamente o diálogo necessário entre a Distribuição e a Indústria para que baixem as importações e seja melhor valorizado o leite português.

Pelo contrário, aumentar o IVA nos produtos alimentares, nomeadamente leite e lacticínios, provocará uma redução do consumo de produtos nacionais e aumentará a pressão exercida pelas superfícies comerciais para obter descontos nos fornecedores, afectando mais uma vez os produtores, o elo mais fraco da cadeia.

18 de Junho – Comunicado sobre a realidade e a ficção na agricultura de Portugal

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, saúda publicamente a nova Ministra da Agricultura, Drª Assunção Cristas, a quem deseja as maiores felicidades nas tarefas que vai assumir em breve.

Apesar de não estar ainda em funções, a futura Ministra pode começar já a observar as diferenças entre a aparência e a realidade da agricultura portuguesa. Com efeito, realiza-se hoje no centro de Lisboa um evento de “apoio à produção agrícola nacional”, promovido por uma das principais cadeias de distribuição. Será certamente uma festa bonita, bem organizada e agradável de visitar, permitindo um contacto dos visitantes com plantas e animais que estão na origem de alguns alimentos consumidos.

Contudo, os governantes e todos os portugueses não podem deixar-se iludir por essa “montra” ou por campanhas publicitárias de outros supermercados que anunciam o “melhor de Portugal” mas são também os maiores importadores de alimentos, nomeadamente leite e lacticínios para as suas marcas brancas (100 milhões de euros só no primeiro trimestre de 2011!), apesar de em Portugal se produzir leite de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo do país. Os portugueses que desejam apoiar a produção nacional e consumir produtos portugueses devem observar com atenção se as embalagens de leite ou lacticínios que adquirem têm o símbolo (PT).

Lamentámos ainda informar que por causa do baixo preço recebido, a produção de leite em Portugal não vive qualquer clima de festa. Pelo contrário, reinam o desânimo, a revolta e angústia face aos elevados custos de produção, às dívidas que aumentam, animais que começam a passar fome e vacarias que acabam por fechar.

Apesar de todos os apelos lançados pelos produtores, apesar de todos os partidos políticos terem reconhecido a justiça da nossa luta, apesar das boas intenções afirmadas pela indústria transformadora e pelos hipermercados, os produtores não tiveram qualquer aumento no preço, nem quando estiveram na rua nem quando se remeteram ao silêncio e regressaram aos campos para as sementeiras de primavera, aumentando ainda mais as suas dívidas. Por trás de bonitas declarações, canções, exposições ou campanhas publicitárias, a realidade é triste e preocupante.

26 de Abril – Reconhecer e defender a produção de leite que resiste em Portugal

A Assembleia da República aprovou recentemente uma resolução que Institui o “Dia da Produção Nacional” a 26 de Abril, sendo referido que “as situações que estão a ocorrer periodicamente no planeta exigem, por parte dos países, um reforço e manutenção do sistema de produção nacional, com particular incidência na agricultura e nas pescas”.

Para os produtores de leite que resistem em Portugal, este será mais um dia de intenso trabalho para cultivar a terra e cuidar dos animais da mesma forma que o fazem todos os dias do ano, haja ou não tolerância de ponto ou fim-de-semana prolongado. Contudo, tendo em conta, tal como afirma a resolução, que este dia deve “contribuir para o reconhecimento da produção nacional junto dos consumidores portugueses”, entende a Direcção da APROLEP reafirmar a necessidade de implementar rapidamente um sistema de Rotulagem e rastreabilidade do leite e lacticínios que permita aos consumidores saber com clareza que os produtos adquiridos provém de leite de qualidade produzido em Portugal.

Neste período pré-eleitoral, os portugueses estarão certamente atentos às propostas dos diversos partidos para um sector estratégico como é a agricultura, atendendo à necessidade de garantir a segurança alimentar do país, ocupar o território e reduzir o défice comercial. Os produtores de leite estarão particularmente atentos às propostas apresentadas sobre a reforma da PAC, esperando que os apoios disponíveis sejam destinados aos agricultores activos que efectivamente produzem. Mais importante ainda será a definição de mecanismos contra a especulação no custo das matérias-primas da alimentação animal, a manutenção das quotas leiteiras e um maior equilíbrio negocial entre produtores, indústria e distribuição, que permita valorizar o nosso trabalho e a nossa produção num preço justo. De facto, apesar dos brutais aumentos dos custos de produção, ainda não foi possível actualizar o preço do leite ao produtor e sem esse aumento a produção de leite não é viável em Portugal. Sublinhamos também a necessidade de simplificar o licenciamento das explorações pecuárias e o acesso aos fundos de apoio para investimento e instalação de jovens produtores de leite.

Já fomos 80000 produtores em Portugal, agora resistimos 8000, quase todos em dificuldades. É tempo de travar este abandono de produção. O futuro do sector de leite não pode depender da meia dúzia de vacarias que podem sobreviver nas actuais condições. O mundo evolui, as condições alteram-se e as melhores explorações de hoje podem falhar amanhã. Portugal precisa de um sector leiteiro que funcione como ecossistema em equilíbrio entre produção, transformação, distribuição e consumo.

A Direcção da APROLEP

1 de Abril – CONSTRUIR O FUTURO DO LEITE PORTUGUÊS

Chegámos ao mês de Abril e a generalidade dos produtores de leite portugueses continua sem qualquer aumento do preço do leite. Temos agora pela frente muito trabalho e despesas com fenos, silagens de erva e sementeiras do milho silagem, os principais alimentos das vacas leiteiras. Teremos de gastar muito dinheiro em sementes, pesticidas, adubos e gasóleo para realizar todos os trabalhos culturais. Estando os produtores de leite endividados e os fornecedores e instituições bancárias com crédito limitado, é quase certo que ficarão muitas terras por semear e aumentará o número de abandonos da actividade.

Recorde-se que desde 2008 se registam quebras na produção de leite em Portugal, devido às dificuldades dos produtores. De acordo com os últimos dados divulgados pelo IFAP, ocorreu uma redução na produção de 2,36% entre Abril 2010 e Janeiro 2011, menos 36364 toneladas, em comparação com igual período do ano anterior.

No momento em que o país se confronta com enormes dificuldades de financiamento nos mercados internacionais, devemos recordar também que a importação de produtos lácteos de valor acrescentado representa um défice comercial de quase 200 milhões de euros, que poderá ser reduzido se a distribuição disponibilizar aos consumidores produtos de origem portuguesa. Os consumidores certamente compreenderão que a compra de leite e lacticínios portugueses, sendo dinheiro que fica em Portugal, significa valor para a economia nacional, criação de emprego e ocupação do território, enquanto a importação de lacticínios é dinheiro que sai do país agravando o défice externo.

Recorde-se ainda que os produtores de leite portugueses, comparativamente aos colegas do Norte da Europa, têm custos acrescidos com a rega das culturas, trabalho em parcelas dispersas e de menor dimensão e subsídios inferiores a países como França ou Alemanha, por injustiças históricas da PAC. Com estes custos naturais superiores e apoios inferiores não é possível suportar um preço que nos últimos meses foi sucessivamente inferior à média europeia. Sublinhe-se que o principal problema não é a diferença entre países, mas a diferença entre o custo de produzir e a receita de vender um litro de leite. Com o preço actual, não é viável produzir leite em Portugal. Só um aumento significativo do preço ao produtor pode salvar a produção de leite. É esse o único propósito que move a APROLEP. Continuaremos a trabalhar de forma construtiva pela valorização do leite português, conscientes que só o esforço e a atitude construtiva de todos os intervenientes neste processo, Produção, Governo, Indústria e Distribuição, tornarão possível o futuro da produção de leite em Portugal.

A Direcção da APROLEP

18 de Março – Conferência de imprensa sobre o futuro da produção de leite em Portugal

Realizou-se uma conferência de imprensa nasexta-feira, dia 18 de Março de 2011, às 10h30, na Exploração Agrícola do Sr. Moreira da Silva em Mosteiró, Vila do Conde. Trata-se do caso concreto de uma entre milhares de vacarias que fecharam devido ao baixo preço do leite e cujo exemplo será seguido pelas restantes explorações se não houver mudanças com urgência. Nesta conferência de imprensa pretendemos expôs-se o seguinte:

1) A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL ESTÁ EM RISCO

Em 1993, existiam em Portugal cerca de 84000 produtores de leite; Em 2010 restavam apenas 8400. Em 1983, havia 1300 produtores no concelho de Vila do Conde, restam 300. Há 10 anos, havia 14 produtores na freguesia de Mosteiró, sobrevivem 3 no presente.

Ao logo de décadas, a desistência de produtores foi compensada pelo aumento de dimensão das explorações que permaneceram e da produtividade por animal. Contudo, desde 2008 a situação alterou-se, registando-se a quebras na produção de leite em Portugal, devido às dificuldades dos produtores. De acordo com os últimos dados divulgados pelo IFAP, na última campanha registou-se uma redução na produção de 2,38% entre Abril e Dezembro de 2010 (menos 33076 toneladas), comparativamente a idêntico período do ano anterior, em cuja campanha (Abril 2009 – Março 2010) também já tinha sido registada uma redução de 2,77% (menos 52660 toneladas de leite produzido).

2) O DÉFICE COMERCIAL NOS PRODUTOS LÁCTEOS PREJUDICA O PAÍS

Em 2010 importámos 6282 milhões de euros de produtos alimentares de origem agrícola e exportámos 3284 milhões de euros.

Dados do INE estimam que em 2010 terá ocorrido a importação de 353.417 toneladas de leite lacticínios, no valor de 462 milhões de euros; As principais rubricas de importação foram iogurtes (146 milhões de euros) e queijos (140 milhões de euros); No sentido inverso, Portugal terá exportado 317.448 toneladas num valor de apenas 269 milhões de euros. Assim, apesar das exportações quase equilibrarem as importações em quantidade, regista-se um saldo comercial negativo de 193 milhões de euros, dinheiro que certamente seria mais útil se fosse injectado na economia nacional, circulando entre indústria, cooperativas, produtores e seus fornecedores. Atente-se ainda que a importação, além dos custos económicos e sociais, implica um levado consumo de combustíveis, com todo o impacto ambiental conhecido.

3) ALGUMAS PERGUNTAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA:

Porque se regista a importação de leite e produtos lácteos para as marcas brancas dos hipermercados, quando o preço ao produtor em Portugal (Janeiro: 0,31€ no continente e 0,28 nos Açores) é inferior à média comunitária (Janeiro: 0,33€) e ainda acrescem os custos de transporte?

Porque é que essa importação acontece nos produtos de maior valor acrescentado?

É assim que a Distribuição apoia a produção alimentar em Portugal?

Estão os portugueses conscientes que a compra de leite e lacticínios portugueses significa valor para a economia nacional, criação de emprego e ocupação do território, enquanto a importação de lacticínios agrava o défice comercial?

Porque não subiu ainda o preço do leite ao produtor em Portugal, se Indústria e Distribuição sabem das dificuldades dos Produtores?

Quantas vacarias terão ainda de fechar até que o país acorde para a situação dramática do sector?

As organizações :

Associação dos Agricultores de Vila do Conde
AJADP – Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto
APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal

 

14 de Março 2011 – APELO AO BOM SENSO DOS CAMIONISTAS EM GREVE

A  APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, vem por este meio alertar para graves dificuldades que a presente greve nos transportes pode causar no sector da Agro-pecuária. Temos conhecimento de várias vacarias que não receberam os alimentos para animais cuja entrega estava prevista para hoje e vários motoristas de recolha do leite relataram ter recebido ameaças. A situação nos alimentos compostos pode tornar-se crítica a manter-se o bloqueio dos silos de cereais no Porto de Leixões.

Nós, agricultores e produtores de leite, compreendemos as dificuldades do sector dos transportes, porque sofremos também aumentos de rações, combustíveis e adubos nos últimos meses, sem repercussão no preço final do nosso produto. Contudo, apelamos ao bom senso dos piquetes de greve para que permitam a passagem de alimentos para os animais e do próprio leite produzido, pois é um produto altamente perecível que tem de ser recolhido diariamente e rapidamente transportado para as fábricas para ser transformado e armazenado. Não podemos deixar os animais à fome nem deixar as vacas sem ordenhar. Na situação difícil em que o sector se encontra, seria catastrófico.

A Direcção da APROLEP

10 de MARÇO – A PRODUÇÃO DE LEITE E O DEBATE PARLAMENTAR SOBRE AGRICULTURA

 

A APROLEP aguarda com expectativa o Debate de amanhã, sexta-feira, na Assembleia da República, que contará com a presença do Sr. Ministro da Agricultura, fazendo votos que os problemas actuais da produção de leite mereçam a atenção necessária e um debate construtivo. Com efeito, apesar dos sucessivos alertas lançados por diversas organizações de produtores, apesar das manifestações entretanto realizadas, apesar da preocupação expressa por Governo e Oposição, os produtores não receberam até agora qualquer indicação do aumento urgente do preço do leite que precisam para sobreviver.

Compreendemos que não compete ao Governo ou Assembleia da República definir o preço do leite, mas exigimos que o Estado assuma uma das incumbências prioritárias referidas no artigo 81, alínea f) da Constituição da República Portuguesa: “Assegurar o funcionamento eficiente dos mercados, de modo a garantir a equilibrada concorrência entre as empresas, a contrariar as formas de organização monopolistas e a reprimir os abusos de posição dominante e outras práticas lesivas do interesse geral”. Não esperamos que seja o Estado a marcar golos, mas exigimos que assuma o papel de árbitro que lhe compete.

As dificuldades dos produtores, fruto da subida exponencial dos factores de produção, nomeadamente rações, adubos e combustíveis, são reconhecidas e incontestadas; É também evidente que o necessário aumento do preço do leite ao produtor depende de uma negociação efectiva e construtiva entre Indústria e Distribuição que tarda em acontecer. A necessidade de reforçar o poder a posição negocial dos produtores foi também reconhecida a nível europeu, com a agravante de Portugal, tal como Espanha, registar actualmente um preço abaixo da média comunitária. A Autoridade da Concorrência reconheceu as dificuldades dos produtores e a posição dominante da Distribuição mas fez apenas vagas constatações e recomendações de que desconhecemos resultados práticos.

Antes que seja tarde, o poder político tem de assumir o seu papel regulador. O mundo vive actualmente uma crise alimentar que poderá afectar sobretudo os países importadores de alimentos como Portugal. Se não conseguirmos rapidamente equilibrar a fileira do leite, se não conseguirmos uma repartição de margens mais justa entre Produtores, Indústria e Distribuição, Portugal passará em breve a ser também deficitário neste sector até agora auto-suficiente. Estão em causa a soberania e a segurança alimentar do país. Depois não vale a pena chorar sobre o leite derramado.

A Direcção da APROLEP

2 de Março – MANIFESTAÇÃO DE PRODUTORES DE LEITE FRENTE À FÁBRICA DA LACTOGAL – MODIVAS – VILA DO CONDE

 No dia 2 de Março de 2011, a partir das 10h00, vai decorrer uma manifestação de produtores de Leite junto à Fábrica da Lactogal em Modivas, Vila do Conde.

Esta manifestação, convocada por várias associações agrícolas, pretende alertar a indústria, a sociedade, o governo e a distribuição, de forma pacífica, sem tractores nem bloqueios, para a necessidade urgente de aumentar o preço do leite ao produtor.

As dificuldades dos produtores face ao aumento dos custos de produção são cada vez mais evidentes, sendo também evidente que a solução depende de uma necessária e urgente negociação entre a indústria e a distribuição. Nesse sentido, os produtores de leite, depois de se concentrarem junto à principal Indústria de Lacticínios (que nasceu da fusão de várias cooperativas com o objectivo de defender a produção nacional), irão entregar também uma mensagem nos armazéns de um operador da Distribuição, localizado nas proximidades.

Os produtores de leite estão cada vez mais unidos e vão intensificar a luta pela sobrevivência do sector, exigindo respeito pela produção de leite através de um preço que permita viver com dignidade do seu trabalho diário.

APROLEP– Associação dos Produtores de Leite de Portugal

Associação dos Agricultores de Vila do Conde

AJADP – Assoc. Jovens Agricultores Distrito Porto

25 FEVEREIRO – DEBATE SOBRE A REFORMA DA PAC E O FUTURO DA PRODUÇÃO DE LEITE

A AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, vai organizar, em cooperação com a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, no dia 25 de Fevereiro de 2011, Sexta-feira, pelas 14,30, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um Debate subordinado ao tema: “A Reforma da PAC e o futuro da produção de leite”, com intervenção prevista de dois Eurodeputados (Maria do Céu Patrão Neves – PSD e Luís Paulo Alves – PS) e dois Deputados à Assembleia da República (Abel Baptista – CDS e Agostinho Lopes, PCP). Esperamos a participação de várias centenas de agricultores.

Com esta actividade, apoiada pela Caixa de Crédito Agrícola de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, pretendemos debater as alterações que se perspectivam para a produção de leite com a futura Política Agrícola Comum, nomeadamente a ameaça do fim das quotas, bem como analisar as propostas da Comissão europeia sobre as relações contratuais no sector do leite, que prevêem contratos escritos entre os produtores e os transformadores de leite, a possibilidade de negociação colectiva das condições contratuais através das organizações de produtores, de modo a equilibrar o poder negocial dos produtores de leite com o dos grandes transformadores, regras da UE específicas para as organizações interprofissionais e medidas destinadas a melhorar a transparência no mercado.

Apesar da situação crítica que a produção de leite atravessa exigir medidas imediatas para salvar a produção, AJADP e APROLEP  entendem ser necessário aprofundar o debate sobre a reforma da PAC, de modo a evitar que os actuais problemas se repitam no futuro e garantir que seja possível assegurar o futuro da produção de leite com a qualidade e quantidade necessárias para manter a segurança alimentar e a soberania nacional.

VER PROGRAMA – DEBATE2011 – A REFORMA DA PAC E O FUTURO DO LEITE

Comunicado da  Concentração de Produtores de Leite – 14 de Fevereiro, Vila do Conde

No próximo dia 14 de Fevereiro, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, às14h30, vai realizar-se uma concentração de produtores de leite, promovida pela Associação de Agricultores de Vila do Conde, pela AJADP – Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto e pela APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, estando prevista a presença de centenas de produtores de todo o país.

Sob o lema “Preço do Leite: QUE FAZER”, na reunião será feita uma análise das dificuldades actuais da produção e serão discutidas formas de luta para salvar o sector da ruína iminente.

Entre 1 de Janeiro de 2010 e 8 de Fevereiro de 2011, o adubo azotado subiu 52%. No mesmo período o gasóleo agrícola subiu 32% e as rações, que representam metade das despesas duma exploração leiteira, já subiram 35%.

Este cenário é insustentável. Apesar da dificuldade que a indústria reconhece aos produtores, não aumentou o preço nem dá garantias de o manter e responsabiliza a Distribuição. Aos produtores pouco adianta saber se a culpa desta situação é da indústria, da Distribuição, do Governo ou de todos.

Com preços calamitosos, assistimos à destruição de um sector com um passado organizado e assente no cooperativismo. A própria Indústria de lacticínios só terá futuro se existirem produtores de leite em Portugal, se trabalhar com leite Nacional.

Do outro lado da barricada parece estar a grande distribuição, que dita as regras de mercado, insensível às dificuldades vividas por milhares de produtores e famílias de toda a fileira directa e indirectamente afectadas. Os produtores entendem a crise e as dificuldades das famílias portuguesas, mas não podem assumir sozinhos a factura, suportando os aumentos dos custos de produção sem repercutirem no preço final.

O Governo está avisado das dificuldades que passam os produtores. Urge uma intervenção muito mais activa na busca de soluções sabendo do abandono de produção, da descapitalização das empresas ainda activas e do ruir das expectativas de tantas famílias. Como pode aconselhar os jovens a investir e assumir as explorações? Onde está o dinheiro necessário para os investimentos necessários ao licenciamento das explorações? De que servem as linhas de crédito bonificadas se os produtores não ganham dinheiro e isso só lhes vai adiar a ruptura final? Porque não funciona a Autoridade da Concorrência? O Governo não pode continuar de braços cruzados, impávido e sereno. À semelhança do que vem sendo feito por outros governos europeus, é preciso que se estabeleçam mecanismos de ajuste do preço face à evolução dos custos de produção à valorização dos lacticínios no mercado. Imediatamente, os produtores precisam de um aumento de 5 cêntimos por litro. Sem uma resposta concreta e positiva a curto prazo, os produtores de leite irão exercer o direito à indignação, de forma expressiva, junto do Governo, da Indústria e da Distribuição.

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA, 28 JANEIRO de 2011:

SEM AJUSTE DE PREÇO, A PRODUÇÃO DE LEITE VAI AO FUNDO!

 

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, vai organizar amanhã, Sexta-feira, 28 de Janeiro, às 11h15, uma conferência de imprensa numa exploração leiteira para denunciar as graves dificuldades dos produtores de leite portugueses devido à subida dos custos de produção, sobretudo rações, enquanto o preço do leite ao produtor permanece congelado.

Nos últimos 12 meses, a soja subiu 11%, a colza 46% e o milho 41%; Só desde Agosto de 2010, o preço da ração para as vacas leiteiras, subiu cerca de 8 cêntimos cada kg e deve continuar a escalada pelo menos até Março. Desde Dezembro, o Gasóleo agrícola já subiu 10 cêntimos em litro. O Adubo subiu 6 euros por saco. Pelo contrário, o leite ao produtor permanece congelado, sem qualquer perspectiva de aumento.

Os produtores estão desanimados, revoltados e desiludidos, perante a ausência do Governo e a actuação da Indústria e Distribuição. Noutros países da Europa, como Holanda, França e Alemanha, os preços ao produtor subiram, em linha com o mercado internacional. Na França e na Espanha, os Governos ultimam legislação para implementar contratos escritos e reforçar a posição negocial dos produtores. Em Portugal, a autoridade da concorrência reconhece as dificuldades dos produtores e a posição dominante da Distribuição mas faz apenas vagas constatações e recomendações.

Antes que seja tarde, o poder político tem de assumir o seu papel regulador. As dificuldades dos produtores são evidentes. Está visto e provado que a chave do problema está entre Cooperativas, Indústria e a Distribuição, primeiro através de uma justa repartição de margens e sacrifícios, depois, em último caso, ajustando o preço final ao consumidor.

Em 2010, disparou o número de insolvências na pecuária. Sem uma acção urgente, 2011 será pior. Muitos produtores já não tem crédito para comprar comida para os animais. Depois, quando o leite faltar e tiver de ser importado, será tarde para reagir. Quem fecha a vacaria nunca mais volta a assumir o sacrifício de produzir leite.

 

15 de Novembro: Um alerta à indústria de lacticínios e aos hipermercados

A APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, tendo em conta o crescente aumento de custos na produção de leite e a estagnação do preço do leite ao produtor, assume o dever de comunicar o seguinte:

O preço das rações, o principal custo de uma exploração leiteira, está em subida constante desde Maio, não havendo qualquer perspectiva segura de quando irá parar e de qual valor irá atingir nos próximos meses. Esse aumento resulta da evolução do custo dos cereais no mercado internacional e não pode ser controlado pelos produtores.

O ligeiro suplemento no preço ao produtor que aconteceu entre Setembro e Outubro, consoante as indústrias, já foi completamente absorvido pelo aumento da ração e não foi suficiente.

As explorações de leite estão desde 2009 a trabalhar com margem negativa, reduzindo custos ao máximo, adiando investimentos, atrasando pagamentos a fornecedores e recorrendo ao crédito bancário. A situação agravou-se nos últimos meses, devido aos gastos com rendas, colheita do milho e sementeiras de Inverno.

Enquanto o preço do leite em Portugal permanece congelado, o preço médio na Europa aumentou a partir de 2009 e está depois de Maio claramente acima do preço médio pago em Portugal.

Estamos à distância de mês e meio em relação à data limite para iniciar o processo de licenciamento da actividade pecuária. Perante as dificuldades naturais do procedimento e a falta de perspectivas sobre o rendimento da actividade, muitos produtores vão optar por encerrar a sua exploração.

Está na hora de a indústria de lacticínios e as empresas de distribuição decidirem se, a médio prazo, pretendem continuar a abastecer-se na produção de leite portuguesa ou ficar dependentes da importação. Está na hora das organizações cooperativas mostrarem aos produtores a mais-valia e a razão da sua existência.

Se nada se alterar em breve, sucederá a desistência de muitos e a revolta de alguns, em dimensões que não podemos calcular.

15 de Novembro de 2010

A Direcção da APROLEP

16 de Outubro: Governo assinala o dia mundial da alimentação com aumento do IVA nos produtos lácteos?

Hoje, 16 de Outubro, celebramos o dia mundial da alimentação, uma necessidade básica para o ser humano que devia ser estratégica para qualquer governo preocupado com a sobrevivência da população do seu país. Em Portugal, não é bem assim. Durante quatro anos, tivemos um ministério da agricultura parado e muitas frases infelizes a denegrir a imagem dos agricultores. Depois mudou o Ministro, mudou o discurso, parecia ter mudado a política mas estão de volta os pesadelos para os agricultores e em particular os produtores de leite, agora ameaçados com o aumento do IVA nos produtos lácteos, como leite achocolatado, aromatizado, vitaminado e bebidas ou sobremesas lácteas.

Já bastava a crise que afecta os produtores desde 2009, com preços ao produtor abaixo dos custos de produção.

Já bastava a subida galopante dos cereais e das rações, o principal custo das explorações leiteiras.

Já bastava a recusa pública da Distribuição ajustar os preços perante esta subida de custos na produção e insistir na importação de leite para as marcas brancas.

Já bastava a implementação de portagens precisamente nas Scuts das regiões onde se concentra a produção leiteira do continente, o Entre-Douro e Minho e a Beira Litoral, o que vai encarecer os custos de serviços e transporte de mercadorias na fileira.

Já bastava a falta de acção do Governo perante todos estes problemas. Não era preciso aumentar o IVA.

O Governo e os partidos que aprovem um orçamento que não considere os produtos lácteos como bens essenciais vão colocar mais um prego no caixão da produção de leite e mostrar muito claramente que este sector da agricultura só é estratégico em discursos pontuais.

26 DE SETEMBRO: COMUNICADO NA VÉSPERA DO CONSELHO EUROPEU DE MINISTROS

Na véspera do Conselho Europeu de Agricultura e Pescas, que na próxima segunda-feira se irá debruçar sobre a situação do mercado de lacticínios e as conclusões do “Grupo de alto nível sobre o leite”, a APROLEP quer publicamente afirmar ou reafirmar os seguintes pontos:

Nenhuma conclusão ou proposta do grupo de alto nível substitui com vantagem o actual regime de quotas leiteiras na tarefa de adequar a oferta à procura e manter a produção de leite em todos os países e regiões da União Europeia. Portugal, sendo um país periférico, com custos de produção acrescidos devido a condições naturais, deve bater-se pela continuação das quotas leiteiras.

Com ou sem quotas, é urgente reforçar o poder negocial do produtor de leite. De nada servirão contratos escritos de compra e venda se o produtor permanecer o elo mais fraco da cadeia, entalado entre o baixo preço recebido da indústria e os altos custos de produção, nomeadamente os cereais para alimentação animal. Essa via dos “contratos”, que nos levanta muitas dúvidas, exigirá uma negociação moderada por uma entidade verdadeiramente independente da indústria, seja ela privada ou de base cooperativa.

Entre as conclusões do grupo de alto nível, sublinhamos a recomendação sobre a rotulagem da origem dos lacticínios. Os consumidores têm o direito de saber onde estão as vacas que produziram o leite que deu origem aos produtos que consomem. Portugal produz leite suficiente para as suas necessidades e os consumidores portugueses têm demonstrado preferência pelos produtos nacionais e confiam na sua qualidade. É importante que a futura legislação impeça importações “escondidas” que possam quebrar essa confiança.

Os mercados de matérias-primas alimentares, nomeadamente cereais, estão cada vez mais instáveis pela sua exposição aos especuladores, ao mesmo tempo que os preços dos produtos alimentares são cada vez mais controlados pela distribuição. Para garantir a continuação da produção agrícola na Europa, de que depende a segurança alimentar da população, a União Europeia, os governos e organismos de regulação da concorrência não podem demitir-se perante os abusos registados de parte a parte.

O mercado europeu de lacticínios registou nos últimos meses uma recuperação no preço à produção que não foi acompanhada em Portugal. Apenas recentemente foram anunciados pequenos acertos de preço para compensar o aumento do custos com as rações. Em Portugal, aumenta o desânimo, o endividamento e o encerramento de explorações leiteiras. Uma vez mais, apelamos ao Governo, a todos os órgãos de soberania e a todos os partidos políticos para olharem o sector e tomarem medidas.

24 de Setembro de 2010

A Direcção da APROLEP

9 DE AGOSTO – LEITE: É URGENTE SUBIR O PREÇO AO PRODUTOR

A situação dos produtores de leite é insustentável. No início deste ano havia expectativa de subida do preço do leite e baixa das rações, mas continuámos com os preços baixos de 2009 e passaram-nos ao lado alguns aumentos registados na Europa. Mais grave ainda, em resultado da subida de preço dos cereais, a ração está a subir e não sabemos onde irá parar.

O calor registado em Julho e Agosto aumentou os gastos com a rega das culturas e com a ventilação das vacarias, ao mesmo tempo que os animais baixaram a produção de leite. Começa a faltar água nos poços e muitos campos de milho já estão secos, pelo que a colheita de milho silagem será menor, em qualidade e qualidade e, em consequência, será também mais cara para quem precisa de comprar.

Para sobreviver, alguns produtores conseguiram crédito bonificado, mas virá o dia de pagar a prestação. Outros vão atrasando o pagamento a fornecedores e prestadores de serviços, os quais vão também recorrendo ao crédito e dependendo cada vez mais de cheques pré-datados e contas caucionadas.

Enquanto os produtores sofrem para sobreviver, as grandes superfícies mantém os lucros, alargam horários de funcionamento e fazem grandes anúncios em que dizem apoiar a produção nacional, mas continuam a vender sob marca própria leite importado de vários países, quando temos produção portuguesa suficiente para abastecer o nosso país.

É urgente subir o preço do leite ao produtor. Indústria e distribuição não podem ignorar as dificuldades dos produtores. A margem tem de ser repartida de forma mais justa. O Governo, as associações agrícolas e as cooperativas do sector não podem continuar passivos perante esta situação.

9 de Agosto de 2010

A Direcção da APROLEP

8 de JULHO: COMUNICADO: EVOLUÇÃO DAS QUOTAS E DO PREÇO DO LEITE

Na próxima segunda-feira, dia 12, o Conselho de Ministros da Agricultura deverá analisar o relatório final do “Grupo de alto Nível”, constituído em Outubro passado face à crise de preços baixos que afectou os produtores de leite na Europa em 2009. Nesse contexto, a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, deseja manifestar publicamente o seguinte:

  1. As conclusões do grupo de alto nível parecem-nos no bom caminho, nomeadamente quando reconhecem a necessidade de reforçar o poder negocial dos produtores, reduzir a instabilidade dos rendimentos, aumentar a transparência nas margens / relações comerciais e implementar a rotulagem da origem nos produtos lácteos. Contudo, não vemos nenhuma proposta capaz de substituir com vantagem o sistema de quotas leiteiras, em vigor até 2015. Na opinião da APROLEP, o Governo Português deve dar o seu contributo a nível europeu para a evolução do actual sistema tornando-o um mecanismo capaz de ajustar regularmente o volume indicativo de produção às necessidades do mercado, tendo em conta as posições da indústria, comércio e consumidores.
  2. 2. Apesar de, na visão da Comissão Europeia, “a situação global do mercado do leite ter melhorado de forma continuada no segundo semestre de 2009 e no primeiro semestre de 2010” e “os principais produtos lácteos terem preços bem acima dos níveis de intervenção”[1], em Portugal registou-se apenas um aumento simbólico do preço ao produtor no final de 2009 e desde então a situação permanece estável, mas negativa, o que significa que os produtores perdem dinheiro enquanto recebem promessas, e só promessas, de aumentos a médio e longo prazo; Face a essa situação cada vez mais insustentável, a APROLEP renova o apelo ao Governo para que intervenha junto da Indústria e Distribuição de modo a evoluirmos rapidamente para preços justos que cubram os custos de produção e permitam aos produtores de leite portugueses viver dignamente do seu trabalho.

8 de Julho de 2010

A Direcção da APROLEP


[1] Conselho Europeu de Agricultura e Pescas de Junho 2010

11 DE JUNHO – Carta Aberta dos Produtores de Leite ao Comissário Europeu da Agricultura:
Sete razões para manter as quotas leiteiras

Senhor Comissário Europeu da Agricultura,

Por ocasião da sua estada em Portugal, no âmbito do debate sobre o futuro da Política Agrícola Comum, a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, pretende manifestar de forma muito simples e clara que os produtores de leite portugueses estão profundamente preocupados com o futuro da sua actividade, se o regime das quotas leiteiras terminar em 2015. Em nossa opinião, as quotas leiteiras devem continuar para além de 2015 porque:

  1. Os produtores de leite sofrem já os efeitos da prometida “aterragem suave” que se transformou numa enorme queda de preços ao produtor. Parece-nos evidente que a decisão de aumentar as quotas ao longo de cinco anos sem avaliar as necessidades do mercado foi um erro com custos elevados para os produtores e para a União Europeia, obrigada a intervir no mercado para estabilizar os preços. No futuro, terá a União Europeia condições económicas e políticas para continuar a gastar milhões de euros no armazenamento de excedentes que pode evitar mantendo o regime de quotas leiteiras?
  2. A “religião” do mercado livre sofreu um rude golpe com a crise económica e financeira. Quem defendeu a “mão invisível do mercado” reconhece agora a necessidade de regulação e controlo no mercado financeiro. Consideramos que essa regulação é ainda mais necessária em relação a bens essenciais como são os alimentos e, em particular, no caso da produção de leite, que exige pesados investimentos e planeamento a longo prazo. Sem essa regulação, produtores e consumidores ficarão vulneráveis à especulação, com os preços inflacionados quando a oferta for inferior à procura e prejuízo para os produtores na situação inversa, sendo ainda necessário considerar os custos logísticos e energéticos da secagem e armazenamento do leite. Considere-se ainda o risco de surgirem imitações de lacticínios em períodos de carência que depois persistem mesmo que retomada a produção.
  3. Apesar de todas as limitações do regime de quotas leiteiras, não surgiu até agora qualquer sistema alternativo que o substitua com vantagem. Nenhuma das conclusões do grupo de alto nível parece capaz de valorizar a produção de leite para um nível de “preço justo”, capaz de cobrir os custos de produção e remunerar de forma digna o difícil trabalho dos agricultores.
  4. O fim das quotas leiteiras conduzirá a um afastamento dos objectivos de coesão a nível europeu, o que prejudica um pequeno país periférico como Portugal, obrigado a um grande esforço de contenção orçamental. Além das dificuldades naturais como a pequena dimensão das parcelas, a sua dispersão e falta de área disponível nas principais regiões produtoras de leite em Portugal, sofremos já a concorrência da produção de leite em países com histórico de ajudas mais elevado por hectare, por agricultor e por litro de leite, agravado ainda pela atribuição de ajudas nacionais ou regionais em países com maior poder económico. Prevemos que essa tendência se irá acentuar após o final das quotas leiteiras.
  5. Os produtores de leite são o elo mais fraco na fileira, mas não serão os únicos a sofrer. Foram devidamente ponderados os efeitos que o final das quotas leiteiras terá na economia de muitas regiões rurais? Foram contabilizados os postos de trabalho que directa e indirectamente serão postos em causa?
  6. Consideramos que o futuro de uma produção de leite sustentável, do ponto de vista económico, social e ambiental, depende de alguma regulação dos níveis de produção a nível europeu, mesmo que evoluindo para um sistema com um nome e regras diferentes das actuais, nomeadamente a possibilidade de ajustar regularmente o volume indicativo de produção às necessidades do mercado, tendo em conta as posições da indústria, comércio e consumidores.
  7. Sabemos da dificuldade política em alterar uma decisão tomada anteriormente. No entanto, consideramos que as mudanças económicas e sociais que ocorreram depois dessa decisão justificam que o assunto seja de novo ponderado. Os políticos europeus não devem ter vergonha de admitir que erraram. Será uma vergonha e um erro muito maior persistir no erro depois de tudo o que aconteceu.

Santarém, 11 de Junho de 2010

A Direcção da Associação dos Produtores de Leite de Portugal,

9 DE JUNHO – Dia Nacional da Produção de Leite

Conforme oportunamente divulgamos, decorre amanhã, quarta-feira, 9 de Junho, o “Dia Nacional da Produção de Leite”, uma iniciativa da Aprolep, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, que contará com a presença do Sr. Ministro da Agricultura, Professor Doutor António Serrano.

O evento vai consistir na visita de uma centena de crianças a duas vacarias, localizadas em diferentes regiões de Portugal continental, permitindo aos estudantes descobrir como se produz o leite que consomem diariamente, através do contacto com os animais, da apresentação da sua alimentação e cuidados diários, devidamente explicados pelos produtores e técnicos que apoiam as explorações leiteiras. No final da visita haverá uma degustação de produtos lácteos gentilmente oferecidos pela indústria de lacticínios portuguesa.

No próximo ano, esperamos ter dezenas e depois centenas de explorações leiteiras de “porta aberta” às crianças e à sociedade em geral, para que conheçam o nosso trabalho e valorizem o nosso produto, o leite português.

As visitas decorrerão entre as 10h30 e as 12h00; O Sr. Ministro da Agricultura vai acompanhar a visita das Crianças da Escola EB1 de Valado dos Frades à “Granja do Valado”, Exploração leiteira localizada na Quinta do Campo, Valado dos Frades, Nazaré.

A Norte, as crianças da Escola de S. Pedro de Fins, na Maia, vão visitar a exploração leiteira denominada “Vale de Leandro agro-pecuária Lda”, sita na Rua de Leandro, 692, S. Pedro de Fins, Maia. Estarão presentes responsáveis da APROLEP nas duas agro-pecuárias.

1 DE JUNHO – Dia Mundial do Leite – Dia Nacional da Produção de Leite

Por indicação da FAO, organização da Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, celebra-se a 1 de Junho o “Dia Mundial do Leite”. Esta iniciativa, pouco divulgada em Portugal, devia ser uma oportunidade para celebrarmos a riqueza nutricional do leite, a qualidade do leite português e o facto do leite ser uma das poucas produções agrícolas em que Portugal é autosuficiente.

Contudo, os produtores de leite portugueses não podem celebrar, porque o preço médio em Março foi de 27 cêntimos por litro, enquanto um estudo recente aponta um custo médio de 37 cêntimos, o que significa para a globalidade dos produtores acumular um prejuízo aproximado de 500 000 euros cada dia que passa.

Para inverter esta situação, a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, recentemente criada, tenciona desenvolver um conjunto de actividades para valorizar o leite português. Nesse sentido, no próximo dia 9 de Junho, vai decorrer o “Dia Nacional da Produção de Leite”, um projecto-piloto que consistirá na visita de uma centena de crianças a duas vacarias, localizadas em diferentes regiões de Portugal continental, permitindo aos estudantes descobrir como se produz o leite que consomem diariamente, através do contacto com os animais, da apresentação da sua alimentação e cuidados diários, devidamente explicados pelos produtores. Se a iniciativa tiver o sucesso que esperamos, no próximo ano teremos dezenas e depois centenas de explorações leiteiras de “porta aberta” às crianças e à sociedade em geral, para que conheçam o nosso trabalho e valorizem o nosso produto, o leite português.

Portugal, 1 de Junho de 2010

26 DE MARÇO – COM OS PREÇOS DO PRESENTE, A PRODUÇÃO DE LEITE NÃO TEM FUTURO

No dia em que se debate em Bruxelas “o futuro do leite”[1], a APROLEP, Associação dos Produtores de Leite de Portugal, entende que é preciso dizer muito claramente que a produção de leite só terá futuro em Portugal e na Europa se for pago um preço justo ao produtor, que permita cobrir as despesas de produção, o que não acontece actualmente. Depois de uma pequena subida no final de 2009, as principais indústrias parecem manter o preço ao produtor. No entanto, a APROLEP detectou três situações com baixa de preço neste mês de Março, com 100 produtores a receber menos 1 cêntimo por litro e 60 produtores a receber menos 3 cêntimos.

Nos próximos dois meses, Abril e Maio, os produtores de leite têm pela frente muito trabalho e despesas acrescidas com a recolha da forragem de inverno e sementeiras do milho silagem, o principal alimento das vacas leiteiras. Com base nas despesas de 2009[2], podemos estimar que por cada hectare de milho a semear é preciso gastar imediatamente cerca de 1000 euros em sementes, pesticidas, adubos e todos os trabalhos culturais (lavrar, fresar, semear, aplicar adubos e herbicidas). Para mais tarde ficam outras despesas como a rega, a colheita e as rendas. Estando os produtores de leite descapitalizados e os fornecedores e instituições bancárias a limitar o crédito, avizinham-se momentos difíceis, provavelmente ficarão algumas terras por semear e mais alguns produtores vão abandonar a actividade.

A nível europeu, temos assistido a um discurso contraditório por parte da indústria, apontando boas perspectivas para o final de 2010 mas tentando baixar os preços no imediato. Portanto, pedem mais sacrifícios agora com base em vagas promessas a longo prazo. Ao mesmo tempo, por parte da distribuição continuam as jogadas de importação de leite a preços de saldo, como nos podemos aperceber a partir da situação caricata denunciada pelos produtores do Pais Basco[3], em Espanha, com uma grande superfície a vender supostamente o mesmo leite de marca própria com 33 cêntimos de diferença entre os dois lados da fronteira.

Face ao exposto, entendemos que o futuro da produção de leite depende de uma repartição mais justa das margens entre os vários elementos da fileira do Leite. No imediato, apelamos à Intervenção do Ministro da Agricultura junto da indústria e da distribuição para a valorização do leite português e esperamos que o Governo defenda igualmente junto da União Europeia a continuação das quotas leiteiras ou de outro sistema equivalente que permita adaptar a produção às necessidades de consumo e garantir a segurança alimentar da Europa a longo prazo.

Portugal, 26 de Março de 2010

A Direcção da APROLEP


[1] http://ec.europa.eu/agriculture/events/milk-conference-2010/index_en.htm

[2] http://www.cavc.pt/assets/Uploads/banner/ManutencaoSite/AreaDownload/Apresentao19022010.pdf (pag 15 e 16)

[3] http://www.agrodigital.com/PlArtStd.asp?CodArt=69753

8 DE MARÇO – “PELO FUTURO DO LEITE PORTUGUÊS!”

No passado dia 4 de Março, na Conservatória do Registo Comercial de Vila do Conde, foi formalmente constituída a APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, uma associação de âmbito nacional, com sede administrativa em Alcobaça, distrito de Leiria, que reúne produtores de leite de todo o país.

A constituição da APROLEP representa uma nova etapa na caminhada de um grupo de produtores de leite para enfrentar a grave crise que afecta o sector há quase dois anos e que continua sem solução à vista. Este grupo, nascido na crise e amadurecido em acções de luta em defesa dos produtores e de toda a fileira do leite português, decidiu agora formalizar a sua existência através da APROLEP, uma associação que não é a solução para todos os problemas mas quer ser uma nova ferramenta ao serviço da produção de leite. Não vendemos ilusões nem prometemos milagres.

Vamos lutar de forma consistente e organizada pela valorização da nossa actividade, do nosso trabalho e produção. Queremos um preço justo para o leite português. Pretendemos regras claras para adaptar a produção às necessidades de consumo. Defenderemos os produtores de leite de todo o território nacional, independentemente da sua localização, dimensão económica e entidade compradora, junto de entidades nacionais e comunitárias.

“Seremos uma associação ao serviço dos produtores de leite, apartidária, independente da distribuição, da Indústria e de qualquer outra organização agrícola, mas sempre disponível para cooperar com todos na resolução dos problemas dos produtores de leite, salvaguardando a independência e a soberania da produção.”

Daremos prioridade à comunicação com os produtores e com a sociedade, privilegiando as novas tecnologias de comunicação,

e de outras formas que considerarmos úteis, como a vídeo-conferência através da internet, já utilizada pela “comissão instaladora” da APROLEP ao longo dos últimos meses. As novas tecnologias de comunicação permitem-nos encurtar distâncias, evitar as despesas de deslocações e facilitam a comunicação entre produtores de leite que não se podem ausentar da exploração.

A nível local, vamos promover o contacto directo entre produtores, agrupados em cinco núcleos regionais, directamente representados na direcção da associação: Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes, Entre Douro e Mondego, Entre Mondego e Tejo e Sul do Tejo. No futuro, esperamos envolver também as regiões autónomas.

Pretendemos trabalhar em rede, trocando experiências, partilhando informação e afirmando valores como a transparência, a democracia e a solidariedade. Acreditamos no futuro da produção de leite em Portugal e vamos trabalhar para que ele seja mais justo e sustentado.
Portugal, 8 de Março de 2010
A Direcção da APROLEP

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