Publicado por: josienkapma | 19/03/2011

PRODUÇÃO A CAIR, DÉFICE A SUBIR – MAIS UM ALERTA DOS PRODUTORES DE LEITE

(clique aqui ou na imagem para ver o vídeo)

Conferência de imprensa numa das milhares de vacarias que fecharam devido ao baixo preço do leite e cujo exemplo será seguido pelas restantes explorações se não houver mudanças com urgência. Nesta conferência de imprensa foi exposto o seguinte:

1) A PRODUÇÃO DE LEITE EM PORTUGAL ESTÁ EM RISCO

Em 1993, existiam em Portugal cerca de 84000 produtores de leite; Em 2010 restavam apenas 8400. Em 1983, havia 1300 produtores no concelho de Vila do Conde, restam 300. Há 10 anos, havia 14 produtores na freguesia de Mosteiró, sobrevivem 3 no presente.

Ao logo de décadas, a desistência de produtores foi compensada pelo aumento de dimensão das explorações que permaneceram e da produtividade por animal. Contudo, desde 2008 a situação alterou-se, registando-se a quebras na produção de leite em Portugal, devido às dificuldades dos produtores. De acordo com os últimos dados divulgados pelo IFAP, na última campanha registou-se uma redução na produção de 2,38% entre Abril e Dezembro de 2010 (menos 33076 toneladas), comparativamente a idêntico período do ano anterior, em cuja campanha (Abril 2009 – Março 2010) também já tinha sido registada uma redução de 2,77% (menos 52660 toneladas de leite produzido).

2) O DÉFICE COMERCIAL NOS PRODUTOS LÁCTEOS PREJUDICA O PAÍS

Em 2010 importámos 6282 milhões de euros de produtos alimentares de origem agrícola e exportámos 3284 milhões de euros.

Dados do INE estimam que em 2010 terá ocorrido a importação de 353.417 toneladas de leite lacticínios, no valor de 462 milhões de euros; As principais rubricas de importação foram iogurtes (146 milhões de euros) e queijos (140 milhões de euros); No sentido inverso, Portugal terá exportado 317.448 toneladas num valor de apenas 269 milhões de euros. Assim, apesar das exportações quase equilibrarem as importações em quantidade, regista-se um saldo comercial negativo de 193 milhões de euros, dinheiro que certamente seria mais útil se fosse injectado na economia nacional, circulando entre indústria, cooperativas, produtores e seus fornecedores. Atente-se ainda que a importação, além dos custos económicos e sociais, implica um levado consumo de combustíveis, com todo o impacto ambiental conhecido.

3) ALGUMAS PERGUNTAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA:

Porque se regista a importação de leite e produtos lácteos para as marcas brancas dos hipermercados, quando o preço ao produtor em Portugal (Janeiro: 0,31€ no continente e 0,28 nos Açores) é inferior à média comunitária (Janeiro: 0,33€) e ainda acrescem os custos de transporte?

Porque é que essa importação acontece nos produtos de maior valor acrescentado?

É assim que a Distribuição apoia a produção alimentar em Portugal?

Estão os portugueses conscientes que a compra de leite e lacticínios portugueses significa valor para a economia nacional, criação de emprego e ocupação do território, enquanto a importação de lacticínios agrava o défice comercial?

Porque não subiu ainda o preço do leite ao produtor em Portugal, se Indústria e Distribuição sabem das dificuldades dos Produtores?

Quantas vacarias terão ainda de fechar até que o país acorde para a situação dramática do sector?

As organizações :
Associação dos Agricultores de Vila do Conde
AJADP – Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto
APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal


Categorias

%d bloggers like this: